Como não te sonhar? Como não te sonhar ?

Que pena eu te rezar e não te querer e não te poder erguer os olhos do meu sonho como Aurora-ao-Contrário do sexo irreal dos anjos que nunca entraram no Céu. És o que a vida é, o que de simples e belo os sonhos deixam e não existe. Quem sabe se sonhando-te eu não te crio, real noutra realidade; se não me serás num outro e puro mundo onde sem corpo táctil nos amemos, com outro jeito de abraços e outras atitudes essenciais de posse? Quem sabe mesmo se não existias já e não te criei, nem te vi apenas, com outra visão, interior e pura, num outro e perfeito mundo? Quem sabe mesmo se o meu ignorar te esperava, e a vaga aspiração com que te desconhecendo te queria? Sê a Noite e que me perca em ti, e que em meus sonhos brilhem estrelas no teu corpo de distância e negação. Que o teu silêncio me embale e me adormeça, que o teu mero ser me amacie e me conforte de todos os silêncios. Reza por mim, e Deus talvez exista por ser por mim que rezas. Se tivesse a certeza de o que eras, erguereria uma religião sobre o sonho de amar-te. És o que falta a tudo. És o que a que a cada coisa falta para a podermos amar sempre. Não sonho possuir-te, para quê? Que o nosso amor seja uma oração. Fiquemos, assim, eternamente como figura de homem em vitral defronte de uma figura de mulher noutro vitral. Entre nós, sombras cujos passos soam frios, umas vezes para este lado uma figura de estátua rezará aspersões. E, nós, sempre que a noite caia, os séculos não tocarão no nosso silêncio vítreo. Lá fora passarão civilizações, revoltas, guerras, vitórias, quotidianos povos…E, nós, ó meu amor viril, teremos sempre o mesmo gesto inútil, a mesma existência falsa, e a mesma, até que um dia no fim de vários séculos de Impérios, a igreja finalmente rua e tudo acabe. Mas nós que não sabemos dela, ficaremos ainda, não sei como, não sei por que tempo, vitrais eternos, horas de ingénuo desenho pintado por um qualquer artista que dorme há muito sob um túmulo godo onde dois anjos de mãos postas gelam em mármore a ideia de morte. Não sei onde te vi nem quando. Não sei se foi num quadro ou foi no campo real, ao pé de árvores e ervas contemporâneas do teu corpo, foi num quadro talvez, tão idílica e legível é a memória que de ti conservo. Nem sei quando se passou, ou se se passou realmente, porque pode ser com todo o sentimento da minha inteligência que esse foi o momento mais calmo da minha vida. Desde logo, parece que vos vi, e vieste até mim e passaste. Pareceste não reparar na minha presença. O teu olhar esquecera-se de lembrar e tinha uma grande clareira de vida de alma, abandonara-te a tua própria consciência, nesse momento nada mais eras. Foi num quadro, sim, que te vi. Mas donde me vem esta ideia de que te vi aproximares-te e passares por mim e eu seguir, não voltando para trás por te estar vendo sempre e ainda? Estaca o tempo para te colocar na vida ou na semelhança da vida. Aconteces demasiado. Não fales. Tenho pena de te estar vendo. Quando serás apenas uma saudade minha? Até lá quantas não serás? Por quem esperas o séquito? Por onde se ergueu a águia perdida? Assim soubesses compreender o teu dever de seres somente o sonho de um sonho. Apenas o turíbulo da catedral dos desnaveios. Talhares os teus gestos como sonho, para que fossem apenas janelas para paisagens nuas da tua alma. De tal modo arquitectar o teu corpo em arremedos de sonho que não fora possível ver-te sem pensar noutra coisa, que lembrasse tudo menos tu, que ver-te fosse música a atravessar, sonâmbula, grandes paisagens de lagos mortos, vagas florestas silenciosas, perdidas no fundo de outras épocas, onde invisíveis pares vivem sentimentos que não temos. Eu não queria nada senão para não te ter. Queria que, sonhando, nem te vendo talvez, mas talvez reparando que o luar enchera de lagos mortos e que ecos de canções ondeavam subitamente na grande floresta inexplícita, perdida em épocas impossíveis. A visão de ti seria o leito onde a minha alma adormecesse, criança doente, para sonhar outra vez com outro Céu. Renata Camacho

Que pena eu te rezar e não te querer e não te poder erguer os olhos do meu sonho como Aurora-ao-Contrário do sexo irreal dos anjos que nunca entraram no Céu.

És o que a vida é, o que de simples e belo os sonhos deixam e não existe. Quem sabe se sonhando-te eu não te crio, real noutra realidade; se não me serás num outro e puro mundo onde sem corpo táctil nos amemos, com outro jeito de abraços e outras atitudes essenciais de posse? Quem sabe mesmo se não existias já e não te criei, nem te vi apenas, com outra visão, interior e pura, num outro e perfeito mundo? Quem sabe mesmo se o meu ignorar te esperava, e a vaga aspiração com que te desconhecendo te queria? Sê a Noite e que me perca em ti, e que em meus sonhos brilhem estrelas no teu corpo de distância e negação. Que o teu silêncio me embale e me adormeça, que o teu mero ser me amacie e me conforte de todos os silêncios. Reza por mim, e Deus talvez exista por ser por mim que rezas. Se tivesse a certeza de o que eras, erguereria uma religião sobre o sonho de amar-te. És o que falta a tudo. És o que a que a cada coisa falta para a podermos amar sempre. Não sonho possuir-te, para quê? Que o nosso amor seja uma oração. Fiquemos, assim, eternamente como figura de homem em vitral defronte de uma figura de mulher noutro vitral. Entre nós, sombras cujos passos soam frios, umas vezes para este lado uma figura de estátua rezará aspersões. E, nós, sempre que a noite caia, os séculos não tocarão no nosso silêncio vítreo. Lá fora passarão civilizações, revoltas, guerras, vitórias, quotidianos povos…E, nós, ó meu amor viril, teremos sempre o mesmo gesto inútil, a mesma existência falsa, e a mesma, até que um dia no fim de vários séculos de Impérios, a igreja finalmente rua e tudo acabe. Mas nós que não sabemos dela, ficaremos ainda, não sei como, não sei por que tempo, vitrais eternos, horas de ingénuo desenho pintado por um qualquer artista que dorme há muito sob um túmulo godo onde dois anjos de mãos postas gelam em mármore a ideia de morte. Não sei onde te vi nem quando. Não sei se foi num quadro ou foi no campo real, ao pé de árvores e ervas contemporâneas do teu corpo, foi num quadro talvez, tão idílica e legível é a memória que de ti conservo. Nem sei quando se passou, ou se se passou realmente, porque pode ser com todo o sentimento da minha inteligência que esse foi o momento mais calmo da minha vida. Desde logo, parece que vos vi, e vieste até mim e passaste. Pareceste não reparar na minha presença. O teu olhar esquecera-se de lembrar e tinha uma grande clareira de vida de alma, abandonara-te a tua própria consciência, nesse momento nada mais eras. Foi num quadro, sim, que te vi. Mas donde me vem esta ideia de que te vi aproximares-te e passares por mim e eu seguir, não voltando para trás por te estar vendo sempre e ainda? Estaca o tempo para te colocar na vida ou na semelhança da vida. Aconteces demasiado. Não fales. Tenho pena de te estar vendo. Quando serás apenas uma saudade minha? Até lá quantas não serás? Por quem esperas o séquito? Por onde se ergueu a águia perdida? Assim soubesses compreender o teu dever de seres somente o sonho de um sonho. Apenas o turíbulo da catedral dos desnaveios. Talhares os teus gestos como sonho, para que fossem apenas janelas para paisagens nuas da tua alma. De tal modo arquitectar o teu corpo em arremedos de sonho que não fora possível ver-te sem pensar noutra coisa, que lembrasse tudo menos tu, que ver-te fosse música a atravessar, sonâmbula, grandes paisagens de lagos mortos, vagas florestas silenciosas, perdidas no fundo de outras épocas, onde invisíveis pares vivem sentimentos que não temos. Eu não queria nada senão para não te ter. Queria que, sonhando, nem te vendo talvez, mas talvez reparando que o luar enchera de lagos mortos e que ecos de canções ondeavam subitamente na grande floresta inexplícita, perdida em épocas impossíveis. A visão de ti seria o leito onde a minha alma adormecesse, criança doente, para sonhar outra vez com outro Céu. Renata Camacho

És o que a vida é, o que de simples e belo os sonhos deixam e não existe.

Quem sabe se sonhando-te eu não te crio, real noutra realidade; se não me serás num outro e puro mundo onde sem corpo táctil nos amemos, com outro jeito de abraços e outras atitudes essenciais de posse? Quem sabe mesmo se não existias já e não te criei, nem te vi apenas, com outra visão, interior e pura, num outro e perfeito mundo? Quem sabe mesmo se o meu ignorar te esperava, e a vaga aspiração com que te desconhecendo te queria? Sê a Noite e que me perca em ti, e que em meus sonhos brilhem estrelas no teu corpo de distância e negação. Que o teu silêncio me embale e me adormeça, que o teu mero ser me amacie e me conforte de todos os silêncios. Reza por mim, e Deus talvez exista por ser por mim que rezas. Se tivesse a certeza de o que eras, erguereria uma religião sobre o sonho de amar-te. És o que falta a tudo. És o que a que a cada coisa falta para a podermos amar sempre. Não sonho possuir-te, para quê? Que o nosso amor seja uma oração. Fiquemos, assim, eternamente como figura de homem em vitral defronte de uma figura de mulher noutro vitral. Entre nós, sombras cujos passos soam frios, umas vezes para este lado uma figura de estátua rezará aspersões. E, nós, sempre que a noite caia, os séculos não tocarão no nosso silêncio vítreo. Lá fora passarão civilizações, revoltas, guerras, vitórias, quotidianos povos…E, nós, ó meu amor viril, teremos sempre o mesmo gesto inútil, a mesma existência falsa, e a mesma, até que um dia no fim de vários séculos de Impérios, a igreja finalmente rua e tudo acabe. Mas nós que não sabemos dela, ficaremos ainda, não sei como, não sei por que tempo, vitrais eternos, horas de ingénuo desenho pintado por um qualquer artista que dorme há muito sob um túmulo godo onde dois anjos de mãos postas gelam em mármore a ideia de morte. Não sei onde te vi nem quando. Não sei se foi num quadro ou foi no campo real, ao pé de árvores e ervas contemporâneas do teu corpo, foi num quadro talvez, tão idílica e legível é a memória que de ti conservo. Nem sei quando se passou, ou se se passou realmente, porque pode ser com todo o sentimento da minha inteligência que esse foi o momento mais calmo da minha vida. Desde logo, parece que vos vi, e vieste até mim e passaste. Pareceste não reparar na minha presença. O teu olhar esquecera-se de lembrar e tinha uma grande clareira de vida de alma, abandonara-te a tua própria consciência, nesse momento nada mais eras. Foi num quadro, sim, que te vi. Mas donde me vem esta ideia de que te vi aproximares-te e passares por mim e eu seguir, não voltando para trás por te estar vendo sempre e ainda? Estaca o tempo para te colocar na vida ou na semelhança da vida. Aconteces demasiado. Não fales. Tenho pena de te estar vendo. Quando serás apenas uma saudade minha? Até lá quantas não serás? Por quem esperas o séquito? Por onde se ergueu a águia perdida? Assim soubesses compreender o teu dever de seres somente o sonho de um sonho. Apenas o turíbulo da catedral dos desnaveios. Talhares os teus gestos como sonho, para que fossem apenas janelas para paisagens nuas da tua alma. De tal modo arquitectar o teu corpo em arremedos de sonho que não fora possível ver-te sem pensar noutra coisa, que lembrasse tudo menos tu, que ver-te fosse música a atravessar, sonâmbula, grandes paisagens de lagos mortos, vagas florestas silenciosas, perdidas no fundo de outras épocas, onde invisíveis pares vivem sentimentos que não temos. Eu não queria nada senão para não te ter. Queria que, sonhando, nem te vendo talvez, mas talvez reparando que o luar enchera de lagos mortos e que ecos de canções ondeavam subitamente na grande floresta inexplícita, perdida em épocas impossíveis. A visão de ti seria o leito onde a minha alma adormecesse, criança doente, para sonhar outra vez com outro Céu. Renata Camacho

Quem sabe se sonhando-te eu não te crio, real noutra realidade; se não me serás num outro e puro mundo onde sem corpo táctil nos amemos, com outro jeito de abraços e outras atitudes essenciais de posse? Quem sabe mesmo se não existias já e não te criei, nem te vi apenas, com outra visão, interior e pura, num outro e perfeito mundo? Quem sabe mesmo se o meu ignorar te esperava, e a vaga aspiração com que te desconhecendo te queria?

Sê a Noite e que me perca em ti, e que em meus sonhos brilhem estrelas no teu corpo de distância e negação. Que o teu silêncio me embale e me adormeça, que o teu mero ser me amacie e me conforte de todos os silêncios. Reza por mim, e Deus talvez exista por ser por mim que rezas. Se tivesse a certeza de o que eras, erguereria uma religião sobre o sonho de amar-te. És o que falta a tudo. És o que a que a cada coisa falta para a podermos amar sempre. Não sonho possuir-te, para quê? Que o nosso amor seja uma oração. Fiquemos, assim, eternamente como figura de homem em vitral defronte de uma figura de mulher noutro vitral. Entre nós, sombras cujos passos soam frios, umas vezes para este lado uma figura de estátua rezará aspersões. E, nós, sempre que a noite caia, os séculos não tocarão no nosso silêncio vítreo. Lá fora passarão civilizações, revoltas, guerras, vitórias, quotidianos povos…E, nós, ó meu amor viril, teremos sempre o mesmo gesto inútil, a mesma existência falsa, e a mesma, até que um dia no fim de vários séculos de Impérios, a igreja finalmente rua e tudo acabe. Mas nós que não sabemos dela, ficaremos ainda, não sei como, não sei por que tempo, vitrais eternos, horas de ingénuo desenho pintado por um qualquer artista que dorme há muito sob um túmulo godo onde dois anjos de mãos postas gelam em mármore a ideia de morte. Não sei onde te vi nem quando. Não sei se foi num quadro ou foi no campo real, ao pé de árvores e ervas contemporâneas do teu corpo, foi num quadro talvez, tão idílica e legível é a memória que de ti conservo. Nem sei quando se passou, ou se se passou realmente, porque pode ser com todo o sentimento da minha inteligência que esse foi o momento mais calmo da minha vida. Desde logo, parece que vos vi, e vieste até mim e passaste. Pareceste não reparar na minha presença. O teu olhar esquecera-se de lembrar e tinha uma grande clareira de vida de alma, abandonara-te a tua própria consciência, nesse momento nada mais eras. Foi num quadro, sim, que te vi. Mas donde me vem esta ideia de que te vi aproximares-te e passares por mim e eu seguir, não voltando para trás por te estar vendo sempre e ainda? Estaca o tempo para te colocar na vida ou na semelhança da vida. Aconteces demasiado. Não fales. Tenho pena de te estar vendo. Quando serás apenas uma saudade minha? Até lá quantas não serás? Por quem esperas o séquito? Por onde se ergueu a águia perdida? Assim soubesses compreender o teu dever de seres somente o sonho de um sonho. Apenas o turíbulo da catedral dos desnaveios. Talhares os teus gestos como sonho, para que fossem apenas janelas para paisagens nuas da tua alma. De tal modo arquitectar o teu corpo em arremedos de sonho que não fora possível ver-te sem pensar noutra coisa, que lembrasse tudo menos tu, que ver-te fosse música a atravessar, sonâmbula, grandes paisagens de lagos mortos, vagas florestas silenciosas, perdidas no fundo de outras épocas, onde invisíveis pares vivem sentimentos que não temos. Eu não queria nada senão para não te ter. Queria que, sonhando, nem te vendo talvez, mas talvez reparando que o luar enchera de lagos mortos e que ecos de canções ondeavam subitamente na grande floresta inexplícita, perdida em épocas impossíveis. A visão de ti seria o leito onde a minha alma adormecesse, criança doente, para sonhar outra vez com outro Céu. Renata Camacho

Sê a Noite e que me perca em ti, e que em meus sonhos brilhem estrelas no teu corpo de distância e negação. Que o teu silêncio me embale e me adormeça, que o teu mero ser me amacie e me conforte de todos os silêncios.

Reza por mim, e Deus talvez exista por ser por mim que rezas. Se tivesse a certeza de o que eras, erguereria uma religião sobre o sonho de amar-te. És o que falta a tudo. És o que a que a cada coisa falta para a podermos amar sempre. Não sonho possuir-te, para quê? Que o nosso amor seja uma oração. Fiquemos, assim, eternamente como figura de homem em vitral defronte de uma figura de mulher noutro vitral. Entre nós, sombras cujos passos soam frios, umas vezes para este lado uma figura de estátua rezará aspersões. E, nós, sempre que a noite caia, os séculos não tocarão no nosso silêncio vítreo. Lá fora passarão civilizações, revoltas, guerras, vitórias, quotidianos povos…E, nós, ó meu amor viril, teremos sempre o mesmo gesto inútil, a mesma existência falsa, e a mesma, até que um dia no fim de vários séculos de Impérios, a igreja finalmente rua e tudo acabe. Mas nós que não sabemos dela, ficaremos ainda, não sei como, não sei por que tempo, vitrais eternos, horas de ingénuo desenho pintado por um qualquer artista que dorme há muito sob um túmulo godo onde dois anjos de mãos postas gelam em mármore a ideia de morte. Não sei onde te vi nem quando. Não sei se foi num quadro ou foi no campo real, ao pé de árvores e ervas contemporâneas do teu corpo, foi num quadro talvez, tão idílica e legível é a memória que de ti conservo. Nem sei quando se passou, ou se se passou realmente, porque pode ser com todo o sentimento da minha inteligência que esse foi o momento mais calmo da minha vida. Desde logo, parece que vos vi, e vieste até mim e passaste. Pareceste não reparar na minha presença. O teu olhar esquecera-se de lembrar e tinha uma grande clareira de vida de alma, abandonara-te a tua própria consciência, nesse momento nada mais eras. Foi num quadro, sim, que te vi. Mas donde me vem esta ideia de que te vi aproximares-te e passares por mim e eu seguir, não voltando para trás por te estar vendo sempre e ainda? Estaca o tempo para te colocar na vida ou na semelhança da vida. Aconteces demasiado. Não fales. Tenho pena de te estar vendo. Quando serás apenas uma saudade minha? Até lá quantas não serás? Por quem esperas o séquito? Por onde se ergueu a águia perdida? Assim soubesses compreender o teu dever de seres somente o sonho de um sonho. Apenas o turíbulo da catedral dos desnaveios. Talhares os teus gestos como sonho, para que fossem apenas janelas para paisagens nuas da tua alma. De tal modo arquitectar o teu corpo em arremedos de sonho que não fora possível ver-te sem pensar noutra coisa, que lembrasse tudo menos tu, que ver-te fosse música a atravessar, sonâmbula, grandes paisagens de lagos mortos, vagas florestas silenciosas, perdidas no fundo de outras épocas, onde invisíveis pares vivem sentimentos que não temos. Eu não queria nada senão para não te ter. Queria que, sonhando, nem te vendo talvez, mas talvez reparando que o luar enchera de lagos mortos e que ecos de canções ondeavam subitamente na grande floresta inexplícita, perdida em épocas impossíveis. A visão de ti seria o leito onde a minha alma adormecesse, criança doente, para sonhar outra vez com outro Céu. Renata Camacho

Reza por mim, e Deus talvez exista por ser por mim que rezas.

Se tivesse a certeza de o que eras, erguereria uma religião sobre o sonho de amar-te. És o que falta a tudo. És o que a que a cada coisa falta para a podermos amar sempre. Não sonho possuir-te, para quê? Que o nosso amor seja uma oração. Fiquemos, assim, eternamente como figura de homem em vitral defronte de uma figura de mulher noutro vitral. Entre nós, sombras cujos passos soam frios, umas vezes para este lado uma figura de estátua rezará aspersões. E, nós, sempre que a noite caia, os séculos não tocarão no nosso silêncio vítreo. Lá fora passarão civilizações, revoltas, guerras, vitórias, quotidianos povos…E, nós, ó meu amor viril, teremos sempre o mesmo gesto inútil, a mesma existência falsa, e a mesma, até que um dia no fim de vários séculos de Impérios, a igreja finalmente rua e tudo acabe. Mas nós que não sabemos dela, ficaremos ainda, não sei como, não sei por que tempo, vitrais eternos, horas de ingénuo desenho pintado por um qualquer artista que dorme há muito sob um túmulo godo onde dois anjos de mãos postas gelam em mármore a ideia de morte. Não sei onde te vi nem quando. Não sei se foi num quadro ou foi no campo real, ao pé de árvores e ervas contemporâneas do teu corpo, foi num quadro talvez, tão idílica e legível é a memória que de ti conservo. Nem sei quando se passou, ou se se passou realmente, porque pode ser com todo o sentimento da minha inteligência que esse foi o momento mais calmo da minha vida. Desde logo, parece que vos vi, e vieste até mim e passaste. Pareceste não reparar na minha presença. O teu olhar esquecera-se de lembrar e tinha uma grande clareira de vida de alma, abandonara-te a tua própria consciência, nesse momento nada mais eras. Foi num quadro, sim, que te vi. Mas donde me vem esta ideia de que te vi aproximares-te e passares por mim e eu seguir, não voltando para trás por te estar vendo sempre e ainda? Estaca o tempo para te colocar na vida ou na semelhança da vida. Aconteces demasiado. Não fales. Tenho pena de te estar vendo. Quando serás apenas uma saudade minha? Até lá quantas não serás? Por quem esperas o séquito? Por onde se ergueu a águia perdida? Assim soubesses compreender o teu dever de seres somente o sonho de um sonho. Apenas o turíbulo da catedral dos desnaveios. Talhares os teus gestos como sonho, para que fossem apenas janelas para paisagens nuas da tua alma. De tal modo arquitectar o teu corpo em arremedos de sonho que não fora possível ver-te sem pensar noutra coisa, que lembrasse tudo menos tu, que ver-te fosse música a atravessar, sonâmbula, grandes paisagens de lagos mortos, vagas florestas silenciosas, perdidas no fundo de outras épocas, onde invisíveis pares vivem sentimentos que não temos. Eu não queria nada senão para não te ter. Queria que, sonhando, nem te vendo talvez, mas talvez reparando que o luar enchera de lagos mortos e que ecos de canções ondeavam subitamente na grande floresta inexplícita, perdida em épocas impossíveis. A visão de ti seria o leito onde a minha alma adormecesse, criança doente, para sonhar outra vez com outro Céu. Renata Camacho

Se tivesse a certeza de o que eras, erguereria uma religião sobre o sonho de amar-te.

És o que falta a tudo. És o que a que a cada coisa falta para a podermos amar sempre. Não sonho possuir-te, para quê? Que o nosso amor seja uma oração. Fiquemos, assim, eternamente como figura de homem em vitral defronte de uma figura de mulher noutro vitral. Entre nós, sombras cujos passos soam frios, umas vezes para este lado uma figura de estátua rezará aspersões. E, nós, sempre que a noite caia, os séculos não tocarão no nosso silêncio vítreo. Lá fora passarão civilizações, revoltas, guerras, vitórias, quotidianos povos…E, nós, ó meu amor viril, teremos sempre o mesmo gesto inútil, a mesma existência falsa, e a mesma, até que um dia no fim de vários séculos de Impérios, a igreja finalmente rua e tudo acabe. Mas nós que não sabemos dela, ficaremos ainda, não sei como, não sei por que tempo, vitrais eternos, horas de ingénuo desenho pintado por um qualquer artista que dorme há muito sob um túmulo godo onde dois anjos de mãos postas gelam em mármore a ideia de morte. Não sei onde te vi nem quando. Não sei se foi num quadro ou foi no campo real, ao pé de árvores e ervas contemporâneas do teu corpo, foi num quadro talvez, tão idílica e legível é a memória que de ti conservo. Nem sei quando se passou, ou se se passou realmente, porque pode ser com todo o sentimento da minha inteligência que esse foi o momento mais calmo da minha vida. Desde logo, parece que vos vi, e vieste até mim e passaste. Pareceste não reparar na minha presença. O teu olhar esquecera-se de lembrar e tinha uma grande clareira de vida de alma, abandonara-te a tua própria consciência, nesse momento nada mais eras. Foi num quadro, sim, que te vi. Mas donde me vem esta ideia de que te vi aproximares-te e passares por mim e eu seguir, não voltando para trás por te estar vendo sempre e ainda? Estaca o tempo para te colocar na vida ou na semelhança da vida. Aconteces demasiado. Não fales. Tenho pena de te estar vendo. Quando serás apenas uma saudade minha? Até lá quantas não serás? Por quem esperas o séquito? Por onde se ergueu a águia perdida? Assim soubesses compreender o teu dever de seres somente o sonho de um sonho. Apenas o turíbulo da catedral dos desnaveios. Talhares os teus gestos como sonho, para que fossem apenas janelas para paisagens nuas da tua alma. De tal modo arquitectar o teu corpo em arremedos de sonho que não fora possível ver-te sem pensar noutra coisa, que lembrasse tudo menos tu, que ver-te fosse música a atravessar, sonâmbula, grandes paisagens de lagos mortos, vagas florestas silenciosas, perdidas no fundo de outras épocas, onde invisíveis pares vivem sentimentos que não temos. Eu não queria nada senão para não te ter. Queria que, sonhando, nem te vendo talvez, mas talvez reparando que o luar enchera de lagos mortos e que ecos de canções ondeavam subitamente na grande floresta inexplícita, perdida em épocas impossíveis. A visão de ti seria o leito onde a minha alma adormecesse, criança doente, para sonhar outra vez com outro Céu. Renata Camacho

És o que falta a tudo. És o que a que a cada coisa falta para a podermos amar sempre. Não sonho possuir-te, para quê?

Que o nosso amor seja uma oração. Fiquemos, assim, eternamente como figura de homem em vitral defronte de uma figura de mulher noutro vitral. Entre nós, sombras cujos passos soam frios, umas vezes para este lado uma figura de estátua rezará aspersões. E, nós, sempre que a noite caia, os séculos não tocarão no nosso silêncio vítreo. Lá fora passarão civilizações, revoltas, guerras, vitórias, quotidianos povos…E, nós, ó meu amor viril, teremos sempre o mesmo gesto inútil, a mesma existência falsa, e a mesma, até que um dia no fim de vários séculos de Impérios, a igreja finalmente rua e tudo acabe. Mas nós que não sabemos dela, ficaremos ainda, não sei como, não sei por que tempo, vitrais eternos, horas de ingénuo desenho pintado por um qualquer artista que dorme há muito sob um túmulo godo onde dois anjos de mãos postas gelam em mármore a ideia de morte. Não sei onde te vi nem quando. Não sei se foi num quadro ou foi no campo real, ao pé de árvores e ervas contemporâneas do teu corpo, foi num quadro talvez, tão idílica e legível é a memória que de ti conservo. Nem sei quando se passou, ou se se passou realmente, porque pode ser com todo o sentimento da minha inteligência que esse foi o momento mais calmo da minha vida. Desde logo, parece que vos vi, e vieste até mim e passaste. Pareceste não reparar na minha presença. O teu olhar esquecera-se de lembrar e tinha uma grande clareira de vida de alma, abandonara-te a tua própria consciência, nesse momento nada mais eras. Foi num quadro, sim, que te vi. Mas donde me vem esta ideia de que te vi aproximares-te e passares por mim e eu seguir, não voltando para trás por te estar vendo sempre e ainda? Estaca o tempo para te colocar na vida ou na semelhança da vida. Aconteces demasiado. Não fales. Tenho pena de te estar vendo. Quando serás apenas uma saudade minha? Até lá quantas não serás? Por quem esperas o séquito? Por onde se ergueu a águia perdida? Assim soubesses compreender o teu dever de seres somente o sonho de um sonho. Apenas o turíbulo da catedral dos desnaveios. Talhares os teus gestos como sonho, para que fossem apenas janelas para paisagens nuas da tua alma. De tal modo arquitectar o teu corpo em arremedos de sonho que não fora possível ver-te sem pensar noutra coisa, que lembrasse tudo menos tu, que ver-te fosse música a atravessar, sonâmbula, grandes paisagens de lagos mortos, vagas florestas silenciosas, perdidas no fundo de outras épocas, onde invisíveis pares vivem sentimentos que não temos. Eu não queria nada senão para não te ter. Queria que, sonhando, nem te vendo talvez, mas talvez reparando que o luar enchera de lagos mortos e que ecos de canções ondeavam subitamente na grande floresta inexplícita, perdida em épocas impossíveis. A visão de ti seria o leito onde a minha alma adormecesse, criança doente, para sonhar outra vez com outro Céu. Renata Camacho

Que o nosso amor seja uma oração. Fiquemos, assim, eternamente como figura de homem em vitral defronte de uma figura de mulher noutro vitral.

Entre nós, sombras cujos passos soam frios, umas vezes para este lado uma figura de estátua rezará aspersões. E, nós, sempre que a noite caia, os séculos não tocarão no nosso silêncio vítreo. Lá fora passarão civilizações, revoltas, guerras, vitórias, quotidianos povos…E, nós, ó meu amor viril, teremos sempre o mesmo gesto inútil, a mesma existência falsa, e a mesma, até que um dia no fim de vários séculos de Impérios, a igreja finalmente rua e tudo acabe. Mas nós que não sabemos dela, ficaremos ainda, não sei como, não sei por que tempo, vitrais eternos, horas de ingénuo desenho pintado por um qualquer artista que dorme há muito sob um túmulo godo onde dois anjos de mãos postas gelam em mármore a ideia de morte. Não sei onde te vi nem quando. Não sei se foi num quadro ou foi no campo real, ao pé de árvores e ervas contemporâneas do teu corpo, foi num quadro talvez, tão idílica e legível é a memória que de ti conservo. Nem sei quando se passou, ou se se passou realmente, porque pode ser com todo o sentimento da minha inteligência que esse foi o momento mais calmo da minha vida. Desde logo, parece que vos vi, e vieste até mim e passaste. Pareceste não reparar na minha presença. O teu olhar esquecera-se de lembrar e tinha uma grande clareira de vida de alma, abandonara-te a tua própria consciência, nesse momento nada mais eras. Foi num quadro, sim, que te vi. Mas donde me vem esta ideia de que te vi aproximares-te e passares por mim e eu seguir, não voltando para trás por te estar vendo sempre e ainda? Estaca o tempo para te colocar na vida ou na semelhança da vida. Aconteces demasiado. Não fales. Tenho pena de te estar vendo. Quando serás apenas uma saudade minha? Até lá quantas não serás? Por quem esperas o séquito? Por onde se ergueu a águia perdida? Assim soubesses compreender o teu dever de seres somente o sonho de um sonho. Apenas o turíbulo da catedral dos desnaveios. Talhares os teus gestos como sonho, para que fossem apenas janelas para paisagens nuas da tua alma. De tal modo arquitectar o teu corpo em arremedos de sonho que não fora possível ver-te sem pensar noutra coisa, que lembrasse tudo menos tu, que ver-te fosse música a atravessar, sonâmbula, grandes paisagens de lagos mortos, vagas florestas silenciosas, perdidas no fundo de outras épocas, onde invisíveis pares vivem sentimentos que não temos. Eu não queria nada senão para não te ter. Queria que, sonhando, nem te vendo talvez, mas talvez reparando que o luar enchera de lagos mortos e que ecos de canções ondeavam subitamente na grande floresta inexplícita, perdida em épocas impossíveis. A visão de ti seria o leito onde a minha alma adormecesse, criança doente, para sonhar outra vez com outro Céu. Renata Camacho

Entre nós, sombras cujos passos soam frios, umas vezes para este lado uma figura de estátua rezará aspersões. E, nós, sempre que a noite caia, os séculos não tocarão no nosso silêncio vítreo. Lá fora passarão civilizações, revoltas, guerras, vitórias, quotidianos povos…E, nós, ó meu amor viril, teremos sempre o mesmo gesto inútil, a mesma existência falsa, e a mesma, até que um dia no fim de vários séculos de Impérios, a igreja finalmente rua e tudo acabe. Mas nós que não sabemos dela, ficaremos ainda, não sei como, não sei por que tempo, vitrais eternos, horas de ingénuo desenho pintado por um qualquer artista que dorme há muito sob um túmulo godo onde dois anjos de mãos postas gelam em mármore a ideia de morte.

Não sei onde te vi nem quando. Não sei se foi num quadro ou foi no campo real, ao pé de árvores e ervas contemporâneas do teu corpo, foi num quadro talvez, tão idílica e legível é a memória que de ti conservo. Nem sei quando se passou, ou se se passou realmente, porque pode ser com todo o sentimento da minha inteligência que esse foi o momento mais calmo da minha vida. Desde logo, parece que vos vi, e vieste até mim e passaste. Pareceste não reparar na minha presença. O teu olhar esquecera-se de lembrar e tinha uma grande clareira de vida de alma, abandonara-te a tua própria consciência, nesse momento nada mais eras. Foi num quadro, sim, que te vi. Mas donde me vem esta ideia de que te vi aproximares-te e passares por mim e eu seguir, não voltando para trás por te estar vendo sempre e ainda? Estaca o tempo para te colocar na vida ou na semelhança da vida. Aconteces demasiado. Não fales. Tenho pena de te estar vendo. Quando serás apenas uma saudade minha? Até lá quantas não serás? Por quem esperas o séquito? Por onde se ergueu a águia perdida? Assim soubesses compreender o teu dever de seres somente o sonho de um sonho. Apenas o turíbulo da catedral dos desnaveios. Talhares os teus gestos como sonho, para que fossem apenas janelas para paisagens nuas da tua alma. De tal modo arquitectar o teu corpo em arremedos de sonho que não fora possível ver-te sem pensar noutra coisa, que lembrasse tudo menos tu, que ver-te fosse música a atravessar, sonâmbula, grandes paisagens de lagos mortos, vagas florestas silenciosas, perdidas no fundo de outras épocas, onde invisíveis pares vivem sentimentos que não temos. Eu não queria nada senão para não te ter. Queria que, sonhando, nem te vendo talvez, mas talvez reparando que o luar enchera de lagos mortos e que ecos de canções ondeavam subitamente na grande floresta inexplícita, perdida em épocas impossíveis. A visão de ti seria o leito onde a minha alma adormecesse, criança doente, para sonhar outra vez com outro Céu. Renata Camacho

Não sei onde te vi nem quando. Não sei se foi num quadro ou foi no campo real, ao pé de árvores e ervas contemporâneas do teu corpo, foi num quadro talvez, tão idílica e legível é a memória que de ti conservo.

Nem sei quando se passou, ou se se passou realmente, porque pode ser com todo o sentimento da minha inteligência que esse foi o momento mais calmo da minha vida. Desde logo, parece que vos vi, e vieste até mim e passaste. Pareceste não reparar na minha presença. O teu olhar esquecera-se de lembrar e tinha uma grande clareira de vida de alma, abandonara-te a tua própria consciência, nesse momento nada mais eras. Foi num quadro, sim, que te vi. Mas donde me vem esta ideia de que te vi aproximares-te e passares por mim e eu seguir, não voltando para trás por te estar vendo sempre e ainda? Estaca o tempo para te colocar na vida ou na semelhança da vida. Aconteces demasiado. Não fales. Tenho pena de te estar vendo. Quando serás apenas uma saudade minha? Até lá quantas não serás? Por quem esperas o séquito? Por onde se ergueu a águia perdida? Assim soubesses compreender o teu dever de seres somente o sonho de um sonho. Apenas o turíbulo da catedral dos desnaveios. Talhares os teus gestos como sonho, para que fossem apenas janelas para paisagens nuas da tua alma. De tal modo arquitectar o teu corpo em arremedos de sonho que não fora possível ver-te sem pensar noutra coisa, que lembrasse tudo menos tu, que ver-te fosse música a atravessar, sonâmbula, grandes paisagens de lagos mortos, vagas florestas silenciosas, perdidas no fundo de outras épocas, onde invisíveis pares vivem sentimentos que não temos. Eu não queria nada senão para não te ter. Queria que, sonhando, nem te vendo talvez, mas talvez reparando que o luar enchera de lagos mortos e que ecos de canções ondeavam subitamente na grande floresta inexplícita, perdida em épocas impossíveis. A visão de ti seria o leito onde a minha alma adormecesse, criança doente, para sonhar outra vez com outro Céu. Renata Camacho

Nem sei quando se passou, ou se se passou realmente, porque pode ser com todo o sentimento da minha inteligência que esse foi o momento mais calmo da minha vida.

Desde logo, parece que vos vi, e vieste até mim e passaste. Pareceste não reparar na minha presença. O teu olhar esquecera-se de lembrar e tinha uma grande clareira de vida de alma, abandonara-te a tua própria consciência, nesse momento nada mais eras. Foi num quadro, sim, que te vi. Mas donde me vem esta ideia de que te vi aproximares-te e passares por mim e eu seguir, não voltando para trás por te estar vendo sempre e ainda? Estaca o tempo para te colocar na vida ou na semelhança da vida. Aconteces demasiado. Não fales. Tenho pena de te estar vendo. Quando serás apenas uma saudade minha? Até lá quantas não serás? Por quem esperas o séquito? Por onde se ergueu a águia perdida? Assim soubesses compreender o teu dever de seres somente o sonho de um sonho. Apenas o turíbulo da catedral dos desnaveios. Talhares os teus gestos como sonho, para que fossem apenas janelas para paisagens nuas da tua alma. De tal modo arquitectar o teu corpo em arremedos de sonho que não fora possível ver-te sem pensar noutra coisa, que lembrasse tudo menos tu, que ver-te fosse música a atravessar, sonâmbula, grandes paisagens de lagos mortos, vagas florestas silenciosas, perdidas no fundo de outras épocas, onde invisíveis pares vivem sentimentos que não temos. Eu não queria nada senão para não te ter. Queria que, sonhando, nem te vendo talvez, mas talvez reparando que o luar enchera de lagos mortos e que ecos de canções ondeavam subitamente na grande floresta inexplícita, perdida em épocas impossíveis. A visão de ti seria o leito onde a minha alma adormecesse, criança doente, para sonhar outra vez com outro Céu. Renata Camacho

Desde logo, parece que vos vi, e vieste até mim e passaste. Pareceste não reparar na minha presença. O teu olhar esquecera-se de lembrar e tinha uma grande clareira de vida de alma, abandonara-te a tua própria consciência, nesse momento nada mais eras.

Foi num quadro, sim, que te vi. Mas donde me vem esta ideia de que te vi aproximares-te e passares por mim e eu seguir, não voltando para trás por te estar vendo sempre e ainda? Estaca o tempo para te colocar na vida ou na semelhança da vida. Aconteces demasiado. Não fales. Tenho pena de te estar vendo. Quando serás apenas uma saudade minha? Até lá quantas não serás? Por quem esperas o séquito? Por onde se ergueu a águia perdida? Assim soubesses compreender o teu dever de seres somente o sonho de um sonho. Apenas o turíbulo da catedral dos desnaveios. Talhares os teus gestos como sonho, para que fossem apenas janelas para paisagens nuas da tua alma. De tal modo arquitectar o teu corpo em arremedos de sonho que não fora possível ver-te sem pensar noutra coisa, que lembrasse tudo menos tu, que ver-te fosse música a atravessar, sonâmbula, grandes paisagens de lagos mortos, vagas florestas silenciosas, perdidas no fundo de outras épocas, onde invisíveis pares vivem sentimentos que não temos. Eu não queria nada senão para não te ter. Queria que, sonhando, nem te vendo talvez, mas talvez reparando que o luar enchera de lagos mortos e que ecos de canções ondeavam subitamente na grande floresta inexplícita, perdida em épocas impossíveis. A visão de ti seria o leito onde a minha alma adormecesse, criança doente, para sonhar outra vez com outro Céu. Renata Camacho

Foi num quadro, sim, que te vi. Mas donde me vem esta ideia de que te vi aproximares-te e passares por mim e eu seguir, não voltando para trás por te estar vendo sempre e ainda? Estaca o tempo para te colocar na vida ou na semelhança da vida.

Aconteces demasiado. Não fales. Tenho pena de te estar vendo. Quando serás apenas uma saudade minha? Até lá quantas não serás? Por quem esperas o séquito? Por onde se ergueu a águia perdida? Assim soubesses compreender o teu dever de seres somente o sonho de um sonho. Apenas o turíbulo da catedral dos desnaveios. Talhares os teus gestos como sonho, para que fossem apenas janelas para paisagens nuas da tua alma. De tal modo arquitectar o teu corpo em arremedos de sonho que não fora possível ver-te sem pensar noutra coisa, que lembrasse tudo menos tu, que ver-te fosse música a atravessar, sonâmbula, grandes paisagens de lagos mortos, vagas florestas silenciosas, perdidas no fundo de outras épocas, onde invisíveis pares vivem sentimentos que não temos. Eu não queria nada senão para não te ter. Queria que, sonhando, nem te vendo talvez, mas talvez reparando que o luar enchera de lagos mortos e que ecos de canções ondeavam subitamente na grande floresta inexplícita, perdida em épocas impossíveis. A visão de ti seria o leito onde a minha alma adormecesse, criança doente, para sonhar outra vez com outro Céu. Renata Camacho

Aconteces demasiado. Não fales. Tenho pena de te estar vendo. Quando serás apenas uma saudade minha? Até lá quantas não serás? Por quem esperas o séquito? Por onde se ergueu a águia perdida?

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Assim soubesses compreender o teu dever de seres somente o sonho de um sonho. Apenas o turíbulo da catedral dos desnaveios. Talhares os teus gestos como sonho, para que fossem apenas janelas para paisagens nuas da tua alma. De tal modo arquitectar o teu corpo em arremedos de sonho que não fora possível ver-te sem pensar noutra coisa, que lembrasse tudo menos tu, que ver-te fosse música a atravessar, sonâmbula, grandes paisagens de lagos mortos, vagas florestas silenciosas, perdidas no fundo de outras épocas, onde invisíveis pares vivem sentimentos que não temos. Eu não queria nada senão para não te ter.

Queria que, sonhando, nem te vendo talvez, mas talvez reparando que o luar enchera de lagos mortos e que ecos de canções ondeavam subitamente na grande floresta inexplícita, perdida em épocas impossíveis. A visão de ti seria o leito onde a minha alma adormecesse, criança doente, para sonhar outra vez com outro Céu. Renata Camacho

Queria que, sonhando, nem te vendo talvez, mas talvez reparando que o luar enchera de lagos mortos e que ecos de canções ondeavam subitamente na grande floresta inexplícita, perdida em épocas impossíveis.

A visão de ti seria o leito onde a minha alma adormecesse, criança doente, para sonhar outra vez com outro Céu. Renata Camacho

A visão de ti seria o leito onde a minha alma adormecesse, criança doente, para sonhar outra vez com outro Céu.

Renata Camacho