Confesso que quando li a notícia de que o líder da JSD-M, Rómulo Coelho, se tinha demitido de assessor do grupo parlamentar do PSD, depois das críticas de Alberto João Jardim na comissão política regional do partido, por este não o ter ido apoiar e o levar em braços no dia da moção de confiança ao Governo Regional, renasceu em mim uma espécie de esperança pascal nos cordeirinhos.
E olhei para os ‘jotas’ com uma certa admiração. Pensei, inclusive, que estava aberto o caminho para um juventude partidária activa e pensante. Com ideias próprias para a sua geração e sem medo de as apresentar nos órgãos próprios dos partidos que representam. Doa a quem doer e sem pensar nas consequências pessoais (leia-se os lugarzinhos apetecíveis).
Mas foi sol de pouca dura, sem desfazer na atitude do líder da JSD-M – que mesmo não conhecendo os factos em pormenor – me parece de salutar.
É que dias depois, foi a vez da JSD nacional tomar o protagonismo. Como? Primeiro através de declarações do presidente, Hugo Soares, ao melhor jeito de pequeno tiranete. "Hoje toda uma geração está indignada”, disse. E se se pensa que o jovem social e (pouco) democrata se estava a referir ao desemprego que afecta essa geração de que ele faz parte (mas a ele não, que é deputado, pois claro) e que tem chutado milhares de qualificados para fora do país e mantém outros tantos no desemprego, desengane-se.
Então o que indigna o jovem líder partidário? O facto de José Sócrates ser “convidado de honra” de um espaço de comentário político na RTP. A JSD mostra lidar mal com os valores democráticos e perde qualquer argumento quando se sabe que Sócrates não vai receber um tostão para comentar a actualidade como entender. Caso bem diferente do antigo líder do PSD, Marcelo Rebelo de Sousa, que esteve anos a fio a receber do canal público pago por todos os contribuintes para fazer o que Sócrates vai fazer de borla.
E o que fez a ‘jota’ para dar corpo à indignação da geração que diz representar? Foi para a porta da RTP fazer um número, a lembrar os de José Manuel Coelho. Levaram um cheque a contabilizar o despesismo socrático. Pena que esse apelo cívico não se tenha estendido a outras matérias e que não tenham ido, simbolicamente, entregar um cheque à sede do PSD pelo buraco no BPN ou nas contas da Madeira. E que tal um cheque a Miguel Relvas, em jeito bolsa de estudo, para concluir uma licenciatura? Ou para pagar as férias milionárias no Brasil, que os tempos são duros. Haja coerência!
A querer fazer alguma coisa pela geração indignada que querem representar, podiam juntar-se às manifestações contra o Governo e a austeridade. Ou apresentar medidas para combater o desemprego jovem. Não daquelas que ficam bem em conferência de imprensa, mas que não levam a lado nenhum. Das outras a sério e de gente grande.
É que enquanto se limitarem a abanar bandeiras em campanhas eleitorais e a estes números pouco dignificantes, que mostram um mau convívio com a liberdade de expressão, só contribuem para aumentar o fosso entre a classe política e os cidadãos. E a prazo podem comprometer a recompensa e a garantia que a agência de empregos onde se inscrevem novos lhes pode dar. É que o povo dá mostras de estar fartinho.
Felizmente pode ser que desta vez o exemplo saia da Madeira.