Em política, a realidade depende das lentes de quem avalia as situações, sendo natural haver discordância entre as partes. Encontro um bom exemplo na saúde regional e na própria Comissão de Inquérito proposta pelo CDS e pelo PAN. Por mais evidentes que sejam os números, haverá sempre a tentativa de os subalternizar: Divida do SESARAM. A dívida passou de 400 para 630 milhões de euros em cinco anos. Representa 2500 euros por madeirense. No continente, a dívida do Serviço Nacional de Saúde é de 150 euros por cidadão. Na Região, três em cada quatro euros investidos foram na reparação e acrescentos ao hospital e na obrigatoriedade da realização dos exames entre portas, mas somente 5% do investimento foi destinado à promoção da saúde. Qualidade. O nível de carências é o mais alto, atingindo o pico a meados de 2012, com racionalização de medicamentos, dispositivos e alimentação, entre outros. A certificação internacional foi abandonada quando começou a questionar estes factos. Gestores. Gerem com a caneta do conflito, no papel da infalibilidade e com a régua do partido (43 desmentidos à oposição, sindicatos ou associações de doentes só no ano passado). Acessibilidade aos cuidados. Listas de espera (não desmentidas) superiores em três vezes às do continente, mais penosas nas doenças oncológicas e nas doenças do idoso. Perda de nove médicos de família este ano, o que condena os utentes a consultas de recurso num sistema de saúde cada vez mais de recurso (metade dos madeirenses não tem medico de família). Recursos humanos. Nomeação de diretores sem as qualificação mas alinhados com a tutela, processos disciplinares a médicos que denunciam situações de risco, transferências compulsivas de enfermeiros, como tem vindo a publico. Mas possível fazer diferente? Sem duvida, respeitando quem trabalha com empenho, fazendo investimentos só depois de avaliados os custos-beneficio, concentrar recursos na produtividade, introduzindo factores de competição no sistema de forma a aumentar a erformance. Acima de tudo gerir sem interferências politicas, empresariais e sem o ónus da perseguição e compadrio. Caro leitor, cabe-lhe a si verificar se o copo esta meio cheio ou vazio...

Mário Pereira, Deputado do CDS na ALRAM