Todos os anos – e já lá vão 35 – o presidente do Governo da Madeira abala para o Porto Santo na quadra pascal. Faz lembrar o tempo da escola, em que esperávamos pelas férias do Natal, depois uns diazinhos no Carnaval, mais as férias na Páscoa, antes da cereja em cima do bolo com as ‘férias grandes’, no Verão. Bons tempos!

Contrariamente à maioria do povo trabalhador, o nosso presidente tem tido a felicidade de poder continuar a gozar todos esses períodos de férias. Não sugiro que contem os dias acumulados – embora esse fosse um exercício interessante – nem que acrescentemos as semanas bem passadas a propósito de reuniões importantíssimas, que duram hora e meia ou uma tarde, em Estrasburgo, Bruxelas, Helsínquia, etc..

Com o passar dos anos, parece que adoptámos todos o “deixem lá o homem em paz”. Portanto, também já dou de barato que, mesmo quando muitas famílias estão a contar tostões para matar a fome, se legitime este tipo de ostentação à conta do erário público. Temos o que escolhemos e democracia é isso mesmo.

Agora, o que faz imensa confusão é o facto do presidente aproveitar todos os períodos de férias e, em simultâneo, obrigar o Jornal da Madeira a acompanhá-lo, para reprodução diária de artigos de opinião complementados com exaustivas páginas preenchidas com fotos em mangas de camisa e pensamentos filosóficos sobre tudo o que mexe à face da terra. Realmente, trata-se de algo inexplicável: se está de férias, porque não as goza sem gozar connosco?

Talvez o povo preferisse que fosse de férias descansado, descansando-o também, e que quando passasse pela Quinta Vigia – como às vezes comprovadamente passa – então dissesse o que tem a dizer sobre coisas concretas. Como a governação da Madeira, por exemplo.

Seria, certamente, um bom tema. Ao contrário do que deve estar aí a sair no JM, a enésima dissertação sobre a próxima Revisão Constitucional, tema obrigatório quando não há mais nada para comentar. Aguardemos porque é uma questão de dias.

Boas Páscoas!