Daqui a pouco mais de vinte dias viver-se-á mais um momento de animação futebolística regional. Nacional e Marítimo defrontar-se-ão num jogo que se pretende competitivo, de futebol-espectáculo e com fair play, dentro e fora de campo. Tendo os clubes um papel determinante na construção e na reprodução da identidade a nível competitivo, a existência de rivalidades faz aumentar a sua popularidade pois desperta paixões, sentimentos, emoções e frustrações, anima sociabilidades e provoca reacções. Mas a paixão por esta actividade desportiva ou clube não pode levar a um clubismo cego e egoísta, que gera dissidências e leva a exageros reprováveis, que ataca o progresso ou a glória de outro clube, que menospreza as suas vitórias e não considera o seu valor. Queria acreditar que desacatos, injúrias, violência, slogans obscenos e demais ofensas não vão ter lugar nesse dia mas julgo que estou a ser demasiado crente, se tivermos em conta o que aconteceu em anos anteriores. Estas acções repetem-se, sem controlo e envergonhando colectividades centenárias e de prestígio que não se identificam com esses actos dos seus adeptos. Vivam o desporto, aquele que leva à camaradagem, ao espírito de solidariedade e de sacrifício, um clubismo inteligente e compreensivo, tolerante e entusiástico, onde há lugar para a competitividade e discussão mas dentro dos parâmetros da sensatez e da boa educação. Senhor Dias sei que consigo, poderei, até à 26.ª jornada, discutir resultados, performances e opiniões, pois apesar das nossas diferenças clubistas, há uma coisa que nos une: a paixão pelo futebol. Depois desse dia … só se o meu clube ganhar!

Andreia Nascimento, Directora de Com. AAUMa