Eu me confesso. Descarreguei a aplicação no meu Iphone e dei corpo ao título da notícia que li: "Aplicação (app) do Papa para Apple iPhone foi a mais descarregada em Portugal na última semana". E este recorde não foi apenas luso, mas ocorreu em países como os Estados Unidos, Canadá, Espanha, Venezuela, Perú, México, Chile, Argentina e Polónia. Para quem pensa que tudo acontece do acaso, duas palavras: o Vaticano não brinca. Poucos acontecimentos no Mundo concorrem com o direto em simultâneo de tantas televisões sobre a cerimónia de entronização do Papa em Roma. Nada escapa na política de comunicação do Vaticano e todos os movimentos mediáticos do novo Santo Padre são estudados: a simplicidade, a frontalidade, o contacto direto com o povo que escuta a primeira missa dominical na praça de S. Pedro, em que Francisco abandonou o "Papa móvel" para tocar e abraçar alguns fiéis. Os lucros que o Vaticano apresentou há dois anos são legítimos e mostram boa saúde, a mesma que se deseja aos Estados, famílias e empresas. A Igreja Católica tem tido em boa parte do Mundo Ocidental a vida facilitada por Estados que constitucionalmente se consideram laicos (o que quer dizer equidistância face aos diferentes credos religiosos) e de que Portugal é um bom exemplo. Nos dias atribulados em que vivemos as antiquadas posições da Igreja em alguns temas (aborto, contraceção, casamento homossexual) não combinam, a meu ver, com o espaço mediático-político em que a ação do Vaticano se move. Nem tão pouco no poder geo-estratégico de que o Vaticano possui junto dos maiores Estados mundiais. Isto é, ou se joga o jogo, ou se questionam as regras. [email protected]
Luís Sena-Lino, Consultor de Marketing e Comunicação