Não sei se imbuído pela quadra que se aproxima, se pelas notícias vindas do Chipre, ou se pelo horizonte temporal das próximas eleições alemãs, o facto é que nestes últimos dias nutro um especial desejo pela ressuscitação do marco. Sim, é algo estranho, reconheço caro leitor! No entanto, parece-me que a morte anunciada do euro, que se procura adiar, só poderá ser salva pelo renascimento do marco. Neste caso concreto, contrariando a história, evitaríamos mortes e promovíamos nova vida. Será que a ressuscitação do marco não acabaria com ideias as esdrúxulas de impor normas de limite ao défice nas constituições, sem antes impor normas de flexibilização do défice quando o desemprego atinge determinados valores em vários estados membro? Será que a vida deste marco não proporcionaria refundar o verdadeiro estado social nos estados fora da zona marco, fomentando reais políticas sociais de preservação do legado humanista da fundação europeia? Será que a vida deste marco não potenciaria outras exportações, diminuindo algumas das importações e criando espaço para que as economias mais a sul da Europa se desenvolvessem e penetrassem noutros mercados? Será que o marco vivo não faria esquecer o novo vocábulo e andaríamos todos menos entroikados? Será que este marco não faria a Goldman Sachs rever as suas apostas de falência da Europa, ou o trio de ataque troikano visitar-nos com menos frequência? Enfim, entre outras, estas são algumas das questões que me coloco, convicto que começa a ser tempo dos 26 da UE se unirem e declararem vida ao marco, renunciado à merkelização coletiva, recordando que a primordial e substancial razão da construção do sonho europeu foi a de trazer paz ao mundo e maior igualdade social entre os povos. Santa Páscoa!

Nuno Maciel, Professor