No início do mês de Março, mais propriamente no dia 9, celebrou-se o dia internacional do Dj. Nos tempos que correm são cada vez mais as pessoas que gostam ou que querem passar música, mas vêm-se cada vez menos verdadeiros dj's, é um facto, a figura que se entendia como estudioso de música, entendido em som, maestro da pista de dança está nesse momento em decadência. Numa altura em que toda a gente é entendida na matéria, os "dj's" de hoje em dia estão condenados às "playlists" que as pessoas trazem de casa na cabeça quando saem à noite, se antes era o dj quem comandava a pista de dança, agora é o contrário, as pessoas é que dizem ao dj o que tocar. Claro que há excepções, mas a grande maioria das pessoas sai à noite para ouvir a música que conhece, que ouve nas rádios ou na televisão, e este facto torna o trabalho do dj muito limitado e básico. Contudo vale a pena relembrar que a profissão de dj assumiu o protagonismo que tem hoje em dia pelos serviços prestados à industria musical ao longo dos últimos 40 anos, mais do que qualquer outro médium foi o dj que "trouxe" a musica directamente às pessoas, foi o dj que ditou as tendências, e que muita da música que hoje muitos de nós reconhecemos como "hits" de décadas passadas, assim o foram por insistência dos "disc jockeys". Em Portugal o mito do dj despertou no início da década de 90, de Lisboa ouvia-se falar de Tó Pereira (mais tarde Dj Vibe), de Luís Leite, de Dj Jiggy, João Daniel, Ruizinho, sei lá entre muitos outros, por cá o Ricardo Campos claro, o João Canada, o Emanuel Juanito e posteriormente o Hernandez, o Romano Faria, e o Paulo que na altura era dj do Café Teatro foram, na minha opinião quem mais contribuíram para a "causa" dos dj´s até ao final do milénio. Mais importante que fama, ou dinheiro, foi o contributo que muitos profissionais deram e continuam a dar para que se ouça boa música quando saímos à noite, ser dj não é só querer passar uns discos ou levantar os braços em frente à audiência, ser dj é respirar música, é ter atitude, ter conhecimentos técnicos, ser dj é no fundo ter o prazer de tocar para as pessoas, aquele disco que levámos horas a descobrir.
Michael C, DJ