Faz pouco tempo que se assinalou mais um Dia Nacional do Estudante. Um dia louvável para qualquer país que preze a formação e cultura dos seus cidadãos. Para qualquer país onde o cidadão seja visto como motor do progresso científico e económico, um elemento criador de uma prosperidade invejável. Esqueçamos tudo isto, pois em Portugal tal não é possível. Num país que vive numa constante cumplicidade com o amigo do alheio, os estudantes de formação Superior, técnica e profissional são vistos como uma mercadoria cuja dignidade perdeu-se para os recantos obscuros de uma axiologia que se molda à vontade daqueles que dela pretendam tirar qualquer proveito. Saídos de escolas e de universidades, com níveis de formação nunca antes vistos na história desta nação, os estudantes são encarados como produtos de um bazar qualquer, aos quais se exige as máximas eficiência e qualidade por apenas um euro e meio. Tudo relativizou-se em tempo de crise e, numa terra de pirâmides invertidas, a lógica e a razão exilam-se nos recantos mais obscuros de uma memória colectiva à espera de despertarem em nome de uma dignidade anteriormente ganha a pulso. Uma memória que um dia procurará negar a sacralização da política da miséria e a demonização da dignidade do cidadão.

Diogo Gonçalves - Colaborador da Associação Académica da Universidade da Madeira