Eu, e penso que a maioria dos portugueses, fomos surpreendidos, no passado dia 21 Março, com a notícia de que José Sócrates (ex-primeiro ministro português) voltaria a comentador político da RTP. Meia-hora todas as semanas, logo após o noticiário das 20h! Só pode ser brincadeira ou vai aproveitar esse horário nobre para explicar o seguinte: foi 1º Ministro de Portugal entre Março de 2005 e Junho de 2011 (6 anos e 3 meses), para além de Secretário de Estado (4 anos, entre 1995 e 1999) e Ministro (3 anos, entre 1999 e 2002). Em 2004, quando se tornou 1º Ministro de Portugal, a dívida pública portuguesa era de 79 mil milhões €. Quando saiu do Governo em 2011, a dívida era de 184,3 mil milhões €. A dívida aumentou 105 mil milhões € (133%). Em 2004 representava 60% do PIB português, em 2011 atingiu 95% (35% acima do limite estabelecido nos tratados com a CEE). Em 6 anos, os dois Governos de Sócrates gastaram mais do que 12 Governos em 25 anos! Para trás, deixou este peso brutal em cima de nós, que levará gerações a pagar e que, a todos nos deixaram na situação actual, com necessidade de implementação de medidas tão austeras como as que hoje estamos a suportar. No seu longo e "belo" trabalho, deixa um legado impressionante: o encargo futuro das PPP - Parcerias Publico Privadas, que entre 2008 e 2011, o montante dos encargos líquidos quase quadruplicou, ascendendo a 1.823 milhões €, para não falar na responsabilidade astronómica futura. A Fundação do computador Magalhães recebeu do Estado 454 milhões €, em 3 anos. O caso "Freeport Outlet Alcochete", envolvendo familiares directos. O caso BPN, com a perda de milhões para o Estado português através de uma nacionalização mal explicada e de um buraco que provavelmente nunca se saberá os seus verdadeiros contornos nem valores atingidos. O processo "Face Oculta" com, alegadamente, lavagem de dinheiro, corrupção política e evasão fiscal… Entre muitas outras coisas, muito há a explicar. Será por isto, que vai ser contratado pelo canal público e pago (novamente) por todos nós? Apenas relembro uma célebre frase sua: "Para países como Portugal e Espanha, pagar a dívida é uma ideia de criança. As dívidas dos Estados são por definição eternas. Foi assim que eu estudei". Ele estudou o quê e onde? Para fazer e dizer isto? Sem comentários!

Pedro Calado, Vice-presidente da CMF