Antes de escolher o tema para este artigo, dei uma vista de olhos pelas mais de duas centenas de intervenções que fiz no Diário, ao longo dos últimos 12 anos, incluindo as integradas na rubrica "Madeira vista de fora". Recordei, de uma maneira geral, aspectos relacionados com a minha terra, sempre numa perspectiva de olhar o futuro, sem ignorar o passado e, sintetizando, constato que muito do que já era motivo de preocupação, pouco ou nada evoluiu, permitindo-me evocar 3 exemplos relativamente aos quais importa que algo seja feito pelos poderes públicos que, dir-se-ia, continuam a fazer bem menos do que era e é sua obrigação. 1. Em primeiro lugar coloco a autonomia - usada e abusada que tem sido, pelos politiqueiros dos nossos dias, que dela se julgam "donos e senhores", quase todos reclamando a sua paternidade - que não se vê, não obstante os primeiros passos terem sido ensaiados, pelo Decreto Real de 2 de Março de 1895, complementado por carta de lei de 22 de Maio de 1901. Bem mais tarde, foi promulgada uma lei de bases dos então designados Distritos Autónomos, a qual para efeitos práticos nada produziu. Uma réstia de esperança, terá sido sem dúvida a sua inclusão na Constituição da República Portuguesa de 1976, mas a realidade é que, decorridos mais de 35 anos, continua por fazer-se o debate sério com a participação de todos os Madeirenses, para que aconteça a verdadeira autonomia. 2. Até certo ponto, uma outra situação que se relaciona com a anterior e se não pode ignorar, é a procrastinação da entrega à Região, por parte do governo da República, da velha Fortaleza, hoje Palácio de São Lourenço, sem excluir a ala nascente que continua a estar ocupada pelos militares que através dos tempos, têm impedido mesmo a concretização de obras de valorização do Palácio, para que dentro das suas muralhas seja criado o tal espaço histórico-cultural - incluindo os Museus da História e das Actividades Económicas da Madeira - para que se conserve, material e espiritualmente, a continuidade da nossa História e a celebração da ambicionada Autonomia. 3. O terceiro tema de âmbito igualmente amplo, quiçá controverso mas não menos importante, e talvez mais visível, tem que ver com a nossa orla marítima - bem menos bem tratada do que merece - carente que continua de Planos de Ordenamento criteriosos. Como é óbvio, não é só da orla do Funchal que se trata e que abordei no meu último artigo, mas também de situações envolvendo enormes dispêndios - como foi e continua a ser - a da Marina do Lugar de Baixo e também a autorização para a construção em áreas que deveriam ser consideradas "protegidas", como foi o caso da Marina do Lorde que pôs em sério risco todo o espaço até a Ponta de São Lourenço. Ao registar uma vez mais estas situações, é o interesse que elas suscitam, sempre e só, pela Madeira! [por decisão do autor, este texto não respeita as normas do Acordo Ortográfico]
Francisco Leite Monteiro