Gil de Andrade Com os meus setenta e nove anos de idade, dos quais cinquenta foram ocupados a exercer a minha profissão de médico e cirurgião geral. Tendo nascido na cidade do Funchal, onde vivi a minha infância e adolescência, fui para Coimbra onde, durante seis anos me licenciei em medicina e um ano de estágio, á custa do meu trabalho e do suporte financeiro do meu pai. Nunca mitiguei a ninguém " Cunhas " para consegui-lo, nem tão pouco solicitei á Universidade títulos ou certificados obtidos em períodos exíguos como certos indivíduos o fizeram e que ainda hoje são considerados pelos seus apaniguados como homens de Estado e de Bem. Seguiram-se 20 anos de trabalho médico no Instituto Português de Oncologia, intercalados por uma ida involuntária de dois anos e a título de "Patriotismo" á nossa ex-colónia de Angola (actualmente Estado Independente). Fui apenas exercer o meu saber em prol de seres humanos quer Portugueses, quer Angolanos que dele necessitavam, pelo que nunca compreendi que tal tivesse sido um acto patriótico. Quando passados os devidos anos legais, foi-me consentido o estatuto de aposentação, não solicitei o quantitativo a receber. Foi calculado legalmente pelas leis de Estado, como também foram os subsídios de férias e de Natal que me foram atribuídos. Custa-me compreender que a títulos de "patriotismo" e de "solidariedade" (no dicionário de Língua Portuguesa - solidariedade é um acto de vontade própria quando se pretende auxiliar alguém.), possam aceder a um bem pessoal, e sonegar quantitativos que quanto a mim nada tem a haver com actos patrióticos ou solidários. Desculpem o tempo que também lhes "roubei", mas gostaria na etapa final da minha existência saber como é que esta atitude poderá ser considerada legal, justa, cívica e coerente.