Um prédio ganhou um prémio de Arquitetura pela inovação estética, mas os habitantes não conseguem viver tal é o frio , o calor e o ruído. Um Bairro Social é construído no leito da Ribeira. Justifica-se o erro urbanístico com a função social do empreendimento. Anexo às ribeiras constrói-se o quartel de Bombeiros, as oficinas do Município, porque não o Tribunal ou o S. de Finanças, a escola ou o pavilhão desportivo. O empresário de sucesso ordena ao arquiteto que pinte de verde os muros e paredes, deste modo já é uma zona ecológica de recreio e lazer! O tio do Presidente constrói uma torre. O filho do vereador uma mais pequena e, até o motorista do Presidente , constrói uma vivenda em plena zona protegida. Basta ser grande jogador de futebol e isso dá bastantes garantias para fazer um Plano à medida do craque : altera-se o PDM e tudo fica legal. O afilhado do Presidente pode construir uma vivenda de três andares, mas o vizinho do lado só pode manter a sua casinha de um piso construída há mais de 50 anos. Quem não se lembra daquela praia de areia amarela e zonas verdes e, do enorme investimento de uma marina para todos os iates que transitam no Atlântico… O negócio urbanístico pressupõe o tráfico de influências : o capitalista compra os terrenos rústicos e espera que a Câmara altere o PDM. Compra-se a pataco, multiplica- se o valor do terreno. Nos Picos, com boa vista da baía , outrora verdes, serão plantadas vivendas de luxo. O prédio classificado vai-se degradando. Numa noite de chuva e vento cai … Mais tarde aparece no local um hotel. No prédio ao lado da Igreja, que é do Governo , que não faz obras, cresce o lixo, aparecem ratos e droga. Um dia de Verão dá-se o incêndio. Ali será plantado um condomínio de luxo. O Estado só ganhou. O Município e o Fisco vão encher os bolsos. Podem descansar. Nada disto acontece na nossa Cidade e muito menos na Regiâo. Este texto é de ficção !
Dírio Ramos, Vereador do PCP na CMF