Um povo inculto, resignado e passivo torna-se numa presa fácil para qualquer líder dominar. Presentemente assiste-se no nosso país a este cenário degradante que é gerido de forma pacífica e perplexa pelos portugueses. Na Madeira acentua-se ainda mais. No entanto esquecemos que somos todos mortais e temos uma vida de passagem que sabiamente deveríamos usufruir da capacidade de abnegação. Por outro lado as nossas memórias individuais e coletivas são desmesuráveis e objecto da nossa identidade e sem elas perdemos as nossas referências e o nosso rumo, quer seja na área religiosa, cultural, património edificado, gastronomia e até no que respeita à nossa riqueza natural. Culturalmente basta que os responsáveis pelos eventos não estejam conetados com o sistema vigente ou com os lobbies instalados, para que sejam alvo de um "branqueamento", mesmo que os projetos tenham, além fronteiras, reconhecida qualidade. As zonas litorais estão cada vez mais descaraterizadas. Na área da botânica, somos tão ricos em tantas espécies e introduz-se em espaços públicos, flores e árvores que nada têm a ver com as nossas plantas endémicas. Como ilha turística que somos, deveríamos defender e valorizar aquilo que é nosso e genuíno mas continuamos a ser cúmplices de uma cultura provinciana porque o que vem de fora é sempre melhor. Como podemos ser autênticos quando passamos a vida a imitar os outros?! O anel, associado a muitas histórias, transporta importantes lições de vida. Recordo-me da história de um rei que se julgando muito poderoso pediu aos seus sábios um anel que fosse a fonte de equilíbrio dos seus diferentes estados de espírito. Os sábios pensaram muito, muito... e chegaram á simples conclusão que no anel deveria constar a seguinte frase: "Isto também passará".
Patrícia Sumares, Professora