Há muitos anos a Madeira ganhou nos mercados canalizadores de turistas para a ilha a elogiosa denominação de "Pérola do Atlântico". Tempos que devemos recordar, com alguma saudade. Mas não podemos andar agarrados ao passado. A agência "Thomas Cook & Son, Ltd" anunciava, em 1932, nas páginas das revistas britânicas de maior circulação, um pacote de férias na "Ilha da Primavera Eterna", com uma sugestiva aguarela de Max Rommer, que reproduzia em toda a página o Hotel Reid's Palace, sobranceiro a um oceano que, afiançava o anúncio, era limpo e onde se nadava em águas cristalinas. Dez anos antes, na mesma revista, pode ver-se um outro anúncio, em que se garantia que não chovia na ilha e o sol resplandecia das bonitas montanhas do anfiteatro funchalense até ao cativante mar de ondas suaves e temperatura amena. Hoje podemos usar quase os mesmos atributos na promoção da ilha ou do arquipélago, pois comparativamente com outros destinos de férias junto ao mar e no espaço europeu, ainda levamos alguma vantagem. Todavia, a verdade é que o contexto é outro. Embora a maioria da clientela continue a ser mais idosa que noutros destinos concorrentes e na faixa dos aposentados, tudo é muito diferente de há quase cem anos. Esse tudo é a forma de actuar no mercado, de vender o produto e de procurar o turista. E porque não há espaço para grandes dissertações, vou directo ao assunto, pois não pretendo discutir se a Madeira é "pérola" ou "diamante", já que, considero, não se retira daí a eficácia da promoção do destino ou a atracção que se pretende exercer nos mercados. Hoje promove-se com outros instrumentos e os meios mudam em cada ano. Prefiro dizer mudam em vez de modernizam, já que se trata de uma forma de actuação, até de pagamento, para que se consiga colocar o nome da ilha nas brochuras dos operadores, nas rotas das companhias aéreas ou nos meios de divulgação mais eficientes. A tecnologia modernizou-se, mas isso é outro tema. E é este trabalho de promoção que é preciso fazer bem feito. O bem feito está sobretudo relacionado com o grau de eficácia que se obtém nas acções desenvolvidas. Há 30 anos pagavam-se páginas de publicidade nos catálogos dos grandes operadores turísticos, para que a Madeira viesse em destaque. Pagavam os hotéis, pagavam as companhias aéreas e pagavam os departamentos oficiais de turismo. E pagavam os restaurantes à conta dos turistas que, eventualmente, iriam comer aos seus restaurantes. A solidariedade dos grandes agentes era sempre em troca de mais dinheiro ou de mais descontos. Hoje mudou um pouco. Não porque esses operadores não estejam por aí. E ainda bem, porque nunca deixámos de depender deles. Mas, mudou, porque apareceram as companhias aéreas, ditas de baixo custo. É preciso pagar para que nos tragam mais passageiros, para que possam iludir o passageiro de que está a pagar menos. É uma forma de negócio que, sem desespero, devemos aceitar. Mas temos de ser inteligentes e não andar no "nim". Nem sim, nem não. Temos de compreender que ante as nossas indecisões outros se aproveitarão. E temos de nos submeter, porque não temos companhia aérea e o tempo urge. A TAP pode nos virar costas, numa futura privatização, a SATA não a quisemos, e agora, parece que anda menos virada para este lado. Temos de garantir turistas, ocupação, comércio e, principalmente, postos de trabalho. Quanto deixa na Madeira ou em Portugal, em taxas de IVA, ou outros impostos e taxas resultantes da actividade, um turista que nos visita. Essa conta deve ser feita e o investimento em novas rotas ou, para sermos mais concretos, a subsidiação dos turistas que nos visitam, deve ter em conta a receita fiscal que directamente proporcionam aos cofres do Estado e da Região Autónoma. Seria sempre uma despesa reprodutiva. Outros corrigirão e dirão que seria um custo. Depende sempre do ângulo em que nos colocamos…
Catanho Fernandes, Jornalista