Não há comparação possível mas parece que houve um 'click' e fez-se um apagão no futebol em Machico e acendeu-se a luz a novos campeões na modalidade de atletismo. Antes a AD Machico era um clube emblemático, ganhador, temível e respeitado pelos adversários, nos tempos em que correr na estrada era coisa de 'loucos' (como muitas vezes apelidavam João Baptista); agora o futebol perdeu força e pujança e é no atletismo que vão emergindo os novos campeões. Nos entretantos o voleibol também 'desapareceu do mapa', depois de várias épocas de ouro. A demolição do antigo Tristão Vaz e a construção de novas instalações foi um grande revés para o desporto-rei, os tempos também são outros, mas não explica tudo. Em condições precárias, Machico possuía grandes equipas e havia sempre muito público nas bancadas; agora a cidade possui um Estádio com relva natural e outro sintético mas é desolador constatar que o povo já não vai 'à bola' e não se deslumbra a proliferação de talentos. Há dias dizia-me um dos mais entusiastas adeptos do futebol local, sócio do clube, que agora só vai ver os veteranos e os juniores, por coincidência equipas ganhadoras. Qualquer coisa está mal quando a equipa de honra do clube ocupa o último lugar da sua série, sem ainda não ter pontuado nos quatro jogos disputados. "Se a montanha não vai a Maomé, então Maomé vai até à montanha", ou seja, quem quer construir fortes equipas tem de ir ao encontro dos jogadores em vez de realizar torneios de captação, tanto mais que a autarquia local é das que mais apoia as agremiações desportivas na região. Mas no eclipse do futebol a Daniela Sousa e o Carlos Freitas, fizeram furor e venceram a II Mini-Maratona do Funchal. Um prémio gratificante para todo o esforço e dedicação não só dos atletas de Machico como da ADRAP.
Miguel Justino, Repórter