O Conselho de Juventude da Madeira (de ora em diante CJM), é um órgão que, não percebo porquê, incomoda qualquer secretário que o tutele. Este órgão, cujo principal objetivo é a auscultação das necessidades dos jovens madeirenses, nunca foi tratado com o devido respeito e consideração. Numa altura em que nos deparamos, cada vez mais, com uma fraca participação dos jovens na vida pública, o Secretário da Educação e Recursos Humanos anuncia que o CJM deverá reunir menos vezes - diz o DLR n.º 10/97/M que deve reunir de dois em dois meses, apesar de não reunir com essa frequência. Reunir menos vezes? Porquê? Faz sentido? Não faz! Com a RAM a apresentar a maior taxa de desemprego jovem do país, o Sr. Secretário pretende calar a voz da juventude neste Conselho. O que deveria fazer era cumprir com o exposto na lei e reunir de dois em dois meses. Era o mínimo que se exigia, mostrando alguma consideração pela geração mais qualificada de sempre. Não só deveria convocar o CJM de dois em dois meses, como deveria dar maiores poderes ao Conselho. Deveria apostar no surgimento de projetos interdisciplinares e de parcerias entre todos os intervenientes no CJM, de modo a darmos respostas às necessidades do tecido empresarial. Deveria apostar em projetos em rede para a juventude, envolvendo a sociedade civil, construindo respostas adequadas aos problemas dos jovens. Como é que é possível o Secretário da Educação afirmar que os jovens são a prioridade deste Governo, e funde a Direção Regional de Juventude com a Direção Regional do Desporto? Afirma que os jovens são uma prioridade e anuncia que o CJM vai passar a reunir de 4 em 4 meses? A falta de interesse e de respeito deste Governo em relação aos jovens e aos órgãos representativos das estruturas juvenis é por demais evidente. O CJM deve ser dignificado e valorizado. Temos que continuar a lutar para que o CJM não continue a ser ignorado e desvalorizado pelo executivo de Jardim e de Jaime Freitas.

Orlando Fernandes, Presidente da JS-M