Xavier Luís Ontem, o Primeiro-ministro informou o país que o governo irá negociar a saída de milhares de funcionários públicos menos qualificados. Embora não seja entendido nas andanças da economia, sempre pensei que, quando o governo pretendesse dispensar funcionários públicos, começaria por aqueles que mais ganham, pois são esses que mais pesam no Orçamento do Estado. Além disso, porque mais bem preparados profissional e economicamente, também mais facilmente iniciariam uma actividade por conta própria. Além disso, o vencimento de um destes funcionários públicos altamente qualificado daria para pagar o vencimento de três ou quatro dos menos qualificados, combatendo-se desta forma o desemprego O que o governo pretende fazer é precisamente o contrário: despedir os funcionários públicos com menores rendimentos (estamos a falar de um salário médio que ronda os 600€/mês) para que estes (com pouco mais do que a escolaridade mínima e atarracados de responsabilidades financeiras) iniciem uma actividade por conta própria numa época de crise. E, diz o Primeiro-ministro que é uma oportunidade! E depois disso, o que vai suceder? Vai um funcionário bem qualificado levar a correspondência ao correio e tirar fotocópias? Neste caso, o custo humano de tirar a fotocópia sairá mais caro do que o papel e a tinta! Desculpar-me-ão os leitores, mas será que sou eu que não percebo, ou é o Primeiro-ministro que anda cego? Em tempos idos, um emigrante não satisfeito com os serviços prestados por um profissional liberal, perguntou-lhe: «O Senhor é mesmo Doutor ou foi apelido que lhe botaram?». Hoje sou eu que pergunto: o senhor Passos Coelho é mesmo Dr., ou foi apelido que lhe puseram?