Na conjuntura atual, marcada por números até agora impensáveis de desemprego, com tendência para subir, pela precariedade, exploração e empobrecimento de quem trabalha, a sociedade continua a contar com os sindicatos. Com a sua ação e responsabilidade imprescindíveis na defesa da dignidade no trabalho. Não só na defesa das condições de quem trabalha, mas também na defesa de valores basilares como a dignidade humana, a democracia e a busca de consensos e acordos. Na maioria das vezes, a negociação e as conquistas fazem-se através de processos de luta e mobilização. Vivemos um momento de imposição de austeridade que dita mais o recurso ao conflito e à luta. De forma a responder ao desemprego, às rotas precarizantes no mundo laboral (trabalho a tempo parcial, temporário e a contrato, falsos recibos verdes, sobrecarga de trabalho, indefinição de tarefas, flexibilização e diminuição do salário, entre outros), à má distribuição de riqueza e à injustiça social. Será feita a contestação que tem de ser feita para manter o espaço de dignidade social do trabalho conquistado ao longo de décadas. Apesar dos ataques ao trabalho, este mantém a centralidade nas nossas sociedades. A crítica aos sindicatos significa, na maioria das ocasiões, que os cidadãos esperam e exigem muito do movimento sindical na defesa desse recurso e fonte de dignidade social e de bem-estar que é o trabalho. Esperam muito em especial dos sindicatos da CGTP-IN, que é a central sindical mais representativa, eloquente e aguerrida. Os seus sindicatos, dentro dos limites da sua ação enquanto parceiros sociais, continuam empenhados em corresponder o máximo possível às legítimas expetativas dos trabalhadores. Como? Através da congregação dos interesses dos trabalhadores, mobilização da sua solidariedade, aumento da representatividade e da eloquência na luta. Os cidadãos continuam a confiar nos sindicatos, nomeadamente na sua capacidade organizativa interna e capacidade de proteção do trabalhador e na influência e capacidade de mobilização na sociedade portuguesa. Acontece que, por vezes, os resultados da ação sindical não se fazem sentir no imediato, mas sim a médio e longo prazo, porque há condicionantes externas aos sindicatos. A presente luta será dura e longa. Por parte dos trabalhadores, é importante uma postura além de mero sócio, que não se limite ao plano quantitativo. Além da lealdade e solidariedade face ao sindicato, o tempo presente coloca aos trabalhadores o desafio da militância ativa, que significa passar a um plano qualitativo.

Sofia Canha