Dúvidas há muitas, linguísticas, metódicas, existenciais, sistemáticas ou legais. A partir de hoje, sempre às segundas-feiras, partilharei outras cinco, aquelas que decorrem da actualidade regional noticiada e que sobram da abordagem factual.
1. O revisionismo habita no denominado Museu do Marítimo, espaço que merecia ser mais do que uma sala de troféus. Se quem dirige o clube tivesse memória, como alguns dos fervorosos adeptos têm, não omitia o momento determinante na sobrevivência dos verde-rubros. Se não fosse tão subserviente ao poder teria colocado no expositor mor da nova sala de visitas vaias, assobiadelas e a tarja "Alberto Rua, Marítimo continua"! Porque terá o 25 de Maio de 1997 desaparecido do mapa da centenária, respeitável e grandiosa história do Marítimo?
2. Jaime Filipe Ramos passou de ‘petit Salazar’ a arquitecto do futuro no PSD-M. Alegadamente por ser da geração mais nova. Não há muito tempo, na era do ‘cartão jovem’, tamanhos benefícios esgotavam-se aos 25 anos. Na autónoma ‘jota’, o título vale até aos 30, embora tenha havido um líder até aos 32 anos. Não será esta promoção uma forma antecipada de Jardim eliminar ‘delfins’ que apressadamente lançou, de tentar evitar rancores na família Ramos, gerados pelos processos em curso decorrentes dos insultos proferidos pelo líder parlamentar e de humilhar a JSD de Rómulo Coelho, de modo a que este bata com a porta, permitindo o regresso da ala incontinente?
3. O professor José Carmo foi apresentar ao Presidente do Governo a sua nova equipa de Vice-Reitores e o respectivo programa de acção para a Universidade da Madeira. Consta que na UMA o gesto gerou reparos. Não é para menos. É normal um reitor eleito apresentar cumprimentos sem antes tomar posse, sem dar a conhecer a equipa à casa e sem partilhar o programa com os seus?
4. O Lugar de Baixo continua a ser apetecível para o Grupo Pestana que até tem solução para uma marina sem barcos que deveria ser transformada em piscina natural. Basta que a protecção projectada se faça devidamente e não ao sabor de apetites políticos. Aliás, porque é que desde que mudou de tutela as obras pararam? Das verbas da Lei de Meios para ali canalizadas, qual o montante até agora executado e quanto milhões de euros estão em risco?
5. O responsável pelo 'gabinete de informação' da Diocese do Funchal precipitou-se, mais uma vez. Quis ser mais papista do que o Papa e quando contactado pelo DIÁRIO na noite em que se pedia uma reacção de D. António Carrilho à escolha de Jorge Bergoglio despachou-nos sem resposta. O Papa Francisco encarregou-se já de dar o devido correctivo fraterno. Um dos seus primeiros gestos num pontificado que promete foi agradecer o “grande trabalho” dos jornalistas durante o conclave, respeitando-os a todos independentemente dos credos e dos títulos, bem como assumir a dificuldade da Igreja em informar. Porque não nos cansamos de perdoar, aguardamos por um pedido desculpas público. Ou será exigir muito a quem não trata os meios de comunicação por igual, nem respeita as mais elementares regras no relacionamento com quem procura a verdade?
"A dúvida é o princípio da sabedoria". (Aristóteles)