É recorrente, depararmo-nos, tanto nos discursos motivacionais como nos livros de auto-ajuda, com ainvocaçãoda língua chinesa para se transmitir a ideia de que a palavra crise, apesar de todas as vicissitudes e em sentido lato, também pode querer dizer que estamos na presença de oportunidades. Uns dirão que esta referência não fará qualquer sentido, todavia os mais audazes usarão como contraposição o argumento de que a falta de prosperidade conjuntural poderá ser catalisadora de reflecção, de abandono da zona de conforto e de subsequente concretização de uma mudança, que em muitos casos, mais do que induzida pela dita crise, era um imperativo dos novos tempos e do novo paradigma tecno-económico global. Sem querer camuflar as dificuldades por que passamosnestes tempos conturbados, não é descabido exortar o empreendedorismo como vector de diferenciação, de criação de riqueza e de acrescento de valor económico. São, de facto,muitosos jovens portugueses que têm o arrojo de capitalizar as suas altas qualificações eknow-how, tirando partido, simultaneamente, de programas de financiamento -como QREN ou FP7- e ainda de infra-estruturas de apoio - parques de ciência e tecnologia- para fundarem as suas start-up, muitas das quais bem-sucedidas e com alta projecção internacional. Ao enveredarem por este caminho, jovens, flagelados pelo desemprego, criam as suas próprias oportunidades, criam oportunidades para outros jovens e criam, sobretudo, oportunidades para um País, que, assim, se diferencia e cresce pela via do empreendedorismo. São exemplos a seguir dado que, em contracorrente, ultrapassam as fronteiras de um exíguo mercado interno e combatem o mito de que a competitividade é reforçada, em exclusivo, com a desvalorização de custos laborais.
Rafael Freitas, Colaborador AAUMa