À sétima avaliação, Vitor Gaspar não descansa, nem descansamos nós. Vamos continuar a descer, abaixo do fundo, abaixo da queda, abaixo da desumana condição onde os gráfiocs, as previsões, o desvio e o erro nos colocaram.
Há sempre um degrau mais abaixo, é sempre possível cavar mais fundo, é sempre possível pior. É esta a matemática que nos ensinam há já demasiado tempo.
Aqui está o Governo que quis ir mais longe que a troika e até por esta é agora condenado. Mas continua como se o caminho que traçou fosse ainda possível, como se fosse necessário reduzir tudo a escombros.
Triste país este que já nem força tem para reagir à dor sistenática e sistémica que impede o movimento e a voz que não seja apenas para cantar memórias de revoluções a que já não sabemos dar sentido.
Vivemos, sem dúvida, tempos de miséria, não apenas daquela que empobrece, que anula voos e sentidos, mas também da outra, da que não consegue criar homens que nos guiem. À maior crise de sempre, juntamos a pior classe política de que há memória. E não há inocência nesta inaptidão, nesta incapacidade, nesta incompetência.
Se do lado de lá temos um governo com um programa ideológico definido, escudado em crises internacionais e em orientações de terceiros, deste lado, numa ilha à deriva, temos um governo escudado em confianças falsas, em anúncios de estudos estéreis e em manobras que apenas têm como fim último a manutenção de um sistema onde os mesmos continuem a garantir a sua existência e as suas benesses.
Se o continente afunda, a ilha afunda ainda mais rápido, não pela natureza geográfica de jangada, mas pela natureza biológica e humana de um Governo que perdeu todos os pontos cardeais e que apenas mantém o instinto de sobrevivência.
Há culpa no naufrágio e não é das condições atmosféricas desfavoráveis. Há culpados e não são terceiros ou conjunturas. Mas há sobretudo imensas desculpas que já não colam, nem calam, ou pelo menos não deviam calar.
Até um certo momento é possível disfarçar o desvio, a pequena curva que não se fez, mas não é possível disfarçar para sempre o desnorte. Já não são suficientes as palavras, nem as obras. Já não é possível esconder o tremendo e imenso erro que nos trouxe até aqui. Não é possível esconder a infâmia com gráficos ou com obras que nos levam a Avenida do Mar, ou com estudos risíveis e moções encenadas e sem préstimo. As culpas e os culpados são maiores, muito maiores, que as desculpas e não há perdão para tanto pecado.