A Igreja Católica tem vindo a perder imensos crentes. Este é um dado palpável. Os motivos poderão ser um pouco mais aleatórios, subjectivos ou até indecifráveis, para algumas cabeças pensantes. Pelo menos tem sido isso tudo, até agora. E é isso que conviria que não continuasse a acontecer. A escolha do novo Papa poderá significar uma ‘lufada de ar fresco’ no que de mais hipócrita tem a Igreja Católica? Pode. Mas não conheço o suficiente do novo Papa para poder acreditar que alguma coisa mudará, para além dos ajustamentos ‘palacianos’ no Vaticano e que demorarão uma eternidade a repercutir-se em algo de bom para os Católicos em todo o mundo. Não é este alarido, em que se transforma toda e qualquer escolha de um novo Papa, que nos fará crer nalguma coisa de concreto. Para além das outras hipocrisias todas, que também desviam a Igreja Católica da sua verdadeira missão, institucionalizou-se que podemos enganar-nos, que podemos ser falsos nas análises, que podemos mentir a nós próprios. Veja-se só o exemplo de Bento XVI: todos o elogiaram na despedida, quando todos o criticavam implicitamente por não ter feito nada e que agora é urgente uma renovação. É isto o que tem sido a Igreja Católica: um sepulcro caiado. Depois do espectáculo em directo do Vaticano, aguarda-se que a Igreja Católica reencontre o seu caminho e que, em cada canto do mundo, em cada país, em cada diocese, em cada paróquia, os maus exemplos de uma igreja retrógrada e atrofiada dêem lugar a acções concretas em defesa dos mais desfavorecidos, dos oprimidos. E todos sabemos que isso implica afrontar os poderes instalados. Mas como se afronta alguém com quem estamos em conluio permanente e hipócrita?