É obvio que o CINM não é uma praça imaculada a exemplo de outras dentro e fora do espaço europeu. Há, no entanto, uma diferença qualitativa entre o CINM e os chamado paraísos fiscais, é que o CINM é fiscalizado e fiscalizável pelos organismos competentes da OCDE e da UE, bem como, pelo estado português ao nível dos tribunais e do banco de Portugal, ao contrário desses paraísos fiscais que funcionam sem lei e sem fiscalização. É oportuno lembrar que o CINM já empregou largos milhares de trabalhadores diretos e indiretos e proporcionou à região centenas de milhões de euros em impostos e ajudou a economia local. Quando tudo corria com normalidade, inexplicavelmente o governo do PS cancelou as negociações com a EU no sentido de manter as isenções fiscais ali praticadas. Resultado perda de centenas de empresas e postos de trabalho. Nessa altura o PSD e o CDS, então oposição, garantiram à região, aos responsáveis pelo CINM e respetivos trabalhadores que se vencessem as eleições, reabriam as negociações com a EU, por ser de interesse nacional e regional, o que manifestamente não aconteceu uma vez chegados ao poder na república. Com este impasse e com a saída de centenas de empresas, só em 2012/2013, para além da perda de milhares de postos de trabalho qualificados, a região irá perder centenas de milhões de euros em impostos. No meio de todo este processo, tem havido muitos "judas", o último deles, o Secretário de Estado Paulo Núncio, com a responsabilidade do dossier junto da EU e que não terá mexido uma palha para solucionar este caso, contrariando assim uma promessa do seu partido, o CDS. Seria bom que o CDS-M, que tem tido uma postura correta na defesa do CINM, persuadisse o seu colega de partido a fechar este dossier de forma positiva. Está em causa o interesse do país, da região e particularmente milhares de postos de trabalho e milhões de euros em impostos.
João Isidoro, Presidente do MPT-Madeira