Um dos acontecimentos mais falado nos últimos tempos foi a resignação do Papa Bento XVI às funções de Bispo de Roma e de Pastor da Igreja Universal Cristã. Uma decisão bem aceite por uns, controversa para outros, mas que encheu as páginas de muitos jornais e o ecrã da televisão em nossas casas. Ao aperceber-me de tamanho aparato em torno desta legítima decisão do Santo Padre, perguntava-me a mim próprio: "Quantos de nós teriam esta coragem?". Dentro de mim, interpretei e estabeleci uma certa analogia sobre essa situação e a que decorre actualmente no País. Por cá, nos últimos tempos, é ponto de ordem cantar-se o Grândola Vila Morena, sentindo-se o contínuo desvanecimento da esperança no futuro do País. Quantas vezes aceitamos tudo, aceitamos cargos com determinadas tarefas, mesmo sabendo que não somos capazes? Quantas vezes aceitamos fazer algo, mesmo tendo consciência de que estamos mais aptos para outras? Quantas vezes temos dificuldade em assumirmos que não somos capazes de desempenhar determina função que nos é pedida e que temos de deixar que outros, mais qualificados, a façam? Uma coisa é certa, não é à toa que em muitas redes sociais temos a actual piada de que o Papa deveria ser português, porque assim nunca resignaria. Que nos sirva este exemplo de humildade e que possamos juntos, cada qual com as suas capacidades e fragilidades, remarmos a bom porto. Aguardemos, também, que a eleição do novo Papa venha a ser uma lufada de ar fresco para a Igreja e para o mundo actual.

João Francisco Dionísio, Colaborador da AAUMa