Eleutério Soares Meus senhores! No seguimento da recente notícia da integração pela reputada revista norte-americana de turismo "Condé Nast Traveler" do Jardim Tropical Monte Palace na selecção dos 14 "Mais Belos Jardins Botânicos no Mundo", tenho visto algumas personalidades regionais querendo usufruir de méritos relativos ao planeamento e execução do referido jardim quando apenas pontualmente colaboraram e assessoraram na elaboração de pequenas zonas do mesmo. Assim afirmo, porque ao longo dos últimos 25 anos, e ininterruptamente, fui o responsável pelo planeado e execução do Jardim Tropical Palace, muitas vezes executando este trabalho com a completa liberdade que o Comendador Berardo me concedeu, e em alguns casos mesmo perante a sua dúvida quanto ao resultado final que mais tarde seria reconhecido pelo próprio (pelo menos nunca o afirmou em contrário). Nunca procurei protagonismo, nem o procuro agora, mas acho lamentável que exista indivíduos a procurarem tirar partido do prémio atribuído para promoção pessoal quando apenas colaboraram pontualmente na elaboração da zona da Laurissilva, sem nunca terem lá plantado uma árvore, catalogando algumas das espécies, e pouco mais. Tenho 67 anos que felizmente vivi como sempre gostei, fazendo e transmitindo aos meus subordinados os melhores conhecimentos que tinha na execução dos trabalhos, em cada um dos dias que ao longo destes 25 anos todos nós trabalhamos. Tenho grande orgulho naquilo que fazemos, sabendo que os nossos visitantes admiram o Jardim que juntos construímos. Muitas vezes o ser humano esquece que estamos aqui de passagem e o que ficará será obra que cada um de nós deixa. Orgulho-me de ter contribuído para que este seja um local onde os madeirenses e os turistas, que nos visitam todos os dias, podem disfrutar de muitas das belezas que sempre tentávamos proporcionar. Peço desculpa por esta abordagem, que não faz parte da minha maneira de ser, mas não me sentiria bem comigo próprio se não fizesse este esclarecimento, pois sinto uma grande injustiça perante a hipocrisia e procura de protagonismo que muita gente tenta obter à custa do trabalho dos outros, usufruindo dividendos alheios.