Jardim está empoleirado na sua lixeira governativa e espera obter refúgio junto do parlamento da RAM, uma espécie de covil social democrata, mascarado de Assembleia do povo que se rege por princípios democráticos tendenciosos. A moção de confiança apresentada a si próprio, em ambiente controlado e acarinhado por um regimento "simpático" que oferece horas ilimitadas para vociferar aos "cachorros, vadios e malandros" dos madeirenses, de acordo com o seu verbo proeminente e sensível, não corresponde a um exercício sério de democracia. Trata-se de uma fogueira ruidosa que ameaça queimar o que resta do PSD-M e afundar mais um bocadinho a desesperança dos madeirenses, quase, quase, à beira de um ataque de nervos. O Presidente da Madeira sublinha argumentos externos e sinaliza um ror de culpados, mesmo que completamente alheios aos 35 anos de medidas e opções politicas regionais. Faz tudo isto, recolhido no conforto de um parlamento amigável e controlável. Entre o "chulo e o bufo" do deputado Miguel de Sousa, e "o traidor" do deputado Coito Pita, nas palavras sábias, sensatas e cordiais do líder do mesmo grupo parlamentar, Jaime Ramos, o Presidente Jardim espera beber uma espécie de chá de alecrim e manjerona e assim ingerir as doses de confiança que lhe parecem faltar para combater os inimigos externos. Esses seres de outro planeta que ameaçam a estabilidade da cabecinha jeitosa, e cheia de aptidões, invejadas por tanta gente, do Presidente do PSD-M. Segundo a soberba peça de literatura, que corresponde à moção de confiança do PSD-M, Jardim quer lutar pelo " Direito à diferença (...) contra os que recusam a transparência democrática (...) os que não aceitam as posições sociais-democratas (...) por pretenderem instalar um liberalismo de capitalismo selvagem ou o marxismo". Foi esta censura delirante de Jardim aos outros (aos tantos bodes expiatórios construídos para sacudir a "água do capote") que o PSD-M transformou numa moção de confiança a um partido naufragado num mar de asneiras, loucuras e prevaricações. Uma confiança, sublinhe-se, que deverá ser caucionada pelos deputados que conspiram entre si, que se traem mutuamente e que estão longe de confiarem no homem que falará hoje até que a voz lhe doa...
Carlos Pereira - Deputado do PS na ALM