Devo dizer que pouco ou nada me diz, pessoalmente, a eleição de um Papa. No entanto, pela importância que tem o cargo ao nível, não só da Igreja Católica, mas de todo o Mundo. Não fosse ele o chefe de milhões e milhões de pessoas, que professam a mesma fé ou religião. O Papa quer queiramos, quer não, é a principal figura da Igreja Católica. Pela história e pelo poder absoluto que desempenha. Se tem, tudo isto a ver com os ensinamentos de Jesus, não sei. Até porque, não sou teólogo.. Tenho lido muito sobre o Papado, desde biblistas, hermeneutas, exegetas, pastoralistas. Sendo ou não :conservadores ou progressistas. Todos falam nele e dele. Eu é que nada sei. Fico-me, apenas, como modesto observador. A Igreja está no Mundo e todos os problemas que lhe são inerentes, é-me motivo de interesse e de, concomitante, atenção. Relativamente, ao Papa Emérito, Bento XVI, sou, particularmente, grato mais pelos documentos e livros que escreveu, com particular realce para as Encíclicas (as três) que tive o gosto de lê-las, do que, propriamente, como Chefe da Igreja Católica. Houve muitas tergiversações. Teve um magistério pouco brilhante e distante dos problemas internos da Igreja, sobretudo, não foi um reformista e foi muito tímido por ser o sucessor de João Paulo II. Este fez-lhe muita sombra. O Ratzinger téologo (e que grande foi no Concílio do Vaticano II?!!!) derimiu-se , tendo ele próprio dito em entrevistas publicadas, que a partir de bispo, cardeal e papa , o teólogo, rebelde e contestatário, desapareceu, passou a ser o"vigilante" na doutrina, um déspota , gélido e frio que muito prejudicou os avanços da Igreja Progressista Tendo esta como protagonistas, os téologos da Libertação com destaque para Leonardo Boff e J.Sobrino e, para outros críticos da igreja situacionista e moribunda. Com particular relevo para Hans Kung de quem o Papa foi colega e seu amigo pessoal. João Paulo II foi, inegavelmente, o homem do espectáculo, da massificação, que no dizer de D.Helder Câmara queria polonizar o mundo com uma igreja perseguida pelo nazismo e pelo comunismo. E vê-se que todo o seu magistério foi de martírio,porque ele andava sempre no "Gólgota" e no "Calvário". Enfaticamente, estava na "teologia da Cruz" do Cristo Sofredor , e que ele, de uma forma muito pertinaz, levou até ao fim da sua vida. Esta atitude prejudicou muito imagem da Igreja. Ela nada tinha com Jesus Resuscitado.Era uma Igreja muito sacrificial. E, ainda por cima, muito apegado à devoção mariológica, com manifestas procissões, terços,velinhas,choros,lágrimas, lencinhos . Voltando ao Papa Bento XVI presto-lhe a minha singela homenagem, em parte,devido à sua craveira intelectual -e que grande!- . Admiração pelo teor das suas Encíclicas, às quais deu pinceladas arrojadas, quando em matéria de problematizar o Mundo, no que diz respeito às desigualdades sociais e ao capitalismo selvagem, inspirou-se nos Santos Padres da Igreja do sec IV e, curiosamente, nos Pais da Suspeição: os filósofos Ludwig Feuerbach, Karl Marx, Siegmund Freud e Friedrich Nietzsche. Eles estão numa das suas encíclicas. Com efeito, penso que João Paulo II prejudicou, em vida e depois da morte, o papado de Bento XVI. Do actor passamos para o contemplativo,o músico e um místico escritor. Será que haverá aggionamento nesta Igreja decrépita, corrupta e pérfida? Depende da leitura que os cardeais farão das "Sandálias do Pescador" ou dos "Palhaços de Deus" de Morris West. "Eclesia semper reformanda" S.Bartolomeu dos Mártires.
Ângelo Paulos