Há quem diga que a presente edição da Liga está mais equilibrada. Se calhar, estará equilibrada e competitiva, mas de forma atípica. De facto, na luta pelo título, FC Porto e Benfica vêm dirimindo uma luta extraordinária, quase ponto a ponto, num campeonato perfeitamente à parte. Esta situação obrigatoriamente cavou um fosso para as restantes equipas, pois 'encarnados' e portistas ainda não perderam nesta Liga (empataram entre si) e cederam apenas 8 pontos. O que explica uma supremacia evidente destes dois colossos do futebol português relativamente aos restantes. Não porque estejam mais fortes relativamente à época passada (ambos até perderam peças importantes) mas, sobretudo, porque todas as outras estão mais fracas, reflexo da conjectura econónima/financeira do país que, forçosamente, se reflectiu em todo o futebol português. Todo menos no Benfica e FC Porto. Até ver! De facto, o Braga exterioriza uma produção aquém do esperado, não conseguindo acompanhar as equipas da frente e vendo-se até confrontado, na luta pelo 3.º lugar, que entretanto recuperou neste fim-de-semana, por um Paços de Ferreira sensacional mas que, por exemplo, não tem mais pontos que o Marítimo detinha à mesma jornada da época passada. Pelo contrário, os verde-rubros contabilizavam então 41 pontos (tantos como o Sporting), era quinto classificado, que dava, esta temporada, para assegurar o 3º lugar, de posse do Braga com 40 pontos. Braga que, na época passada detinha 52 pontos (mais 12 que esta temporada) e situava-se no segundo lugar com o Benfica e apenas a um ponto do FC Porto, que liderava. Já o Nacional à 22.ª jornada tinha apenas menos um ponto (26) que os que contabiliza esta época. Neste contexto, àquilo que alguns chamam de competitividade pelo 5º lugar (já que o 4º lugar cavou um fosso interessante para os restantes), eu atrever-me-ia a chamar de competitividade na mediocridade. Marítimo longe do fulgor da temporada passada, V. Guimarães recheado de problemas e com uma equipa de retalhada, permitindo a intromissão de equipas tidas por sensação (Estoril e Rio Ave), mais um Nacional igualmente aquém do perspectivado, são estas as equipas que se apresentam como candidatas ao último lugar europeu. Com a particularidade de apenas duas (Rio Ave e Guimarães) ter atingido os 30 pontos à 22.ª jornada, menos 11 que a época passada detinha o 5.º, o Marítimo. PS: que me perdoem os sportinguistas não os incluir neste leque de equipas europeias, mas a situação é tão atípica que, por uma questão de respeito à história de um grande clube português, prefiro pensar que hibernou por uns tempos.
Emanuel Rosa - Repórter