A hipersensibilidade dos cidadãos em relação à política atingiu o auge. A situação a que a Madeira chegou, as graves consequências para as famílias e empresas, a miséria que se abate, em especial na classe média, as consequências da dívida oculta, o aumento de impostos, está a levar a uma censura dos cidadãos aos políticos. Nesta censura, metem todos no mesmo saco, os que desde sempre governaram a Madeira, bem como, aqueles que alertaram, denunciaram, e que nunca estiveram ao lado dos que levaram a Madeira à desgraça. Alguns desses que aplaudiram a má utilização de dinheiros públicos, que andaram colados ao PSD-M, estiveram nas inaugurações, no vinho e na espetada, agora, acham que a culpa desta situação é de todos. Não, não é de todos. Desculpem a crueza das palavras, mas a verdade dói, mas dói ainda mais para os que alertaram, para os que denunciaram e, ao longo do tempo, foram enxovalhados pelo poder e desprezados por dizerem a verdade. Hoje não há inocentes em política. Todos os madeirenses e porto-santenses sabem as dificuldades que atravessamos e quem são os responsáveis. Perante tudo isto, quem ainda anda colado ao PSD-M está a gozar com as pessoas que passam dificuldades, gozam dos idosos que não têm dinheiro para os remédios, gozam das crianças que passam fome, gozam dos empresários que vêm a economia a definhar aos seus pés e têm de fechar empresas, gozam dos jovens que saem das universidades diretamente para o desemprego, gozam dos jovens e menos jovens que têm de emigrar. Quem hoje, perante toda esta situação, vota no PSD-M não é inocente, é tão responsável como os governantes. Desculpem mais uma vez a crueza das palavras, mas perante esta miséria, que todos vemos, persistir no erro é uma irresponsabilidade. Amanhã, no parlamento, será votada uma Moção de Confiança apresentada pelo Governo Regional. Um governo e um presidente que trairam a confiança de quem neles votou. Um governo em fim de linha que está a levar a Madeira à desgraça. Um governo sem soluções, sem credibilidade e que só trás problemas ao seu povo. A legitimidade que o PSD-Madeira procura no parlamento não existe, porque se a procuram aí é porque já a perderam junto do povo. Em política, a legitimidade está no povo, não no parlamento. É o momento de devolver a palavra ao povo.

Victor Freitas - Presidente do PS-M