Os incómodos são indisfarçáveis. A contenção verbal é obrigatória no que toca aos assuntos delicados. Não pode haver mais passos em falso. A decretada estratégia 'um por todos, todos por mim' está em curso até ver. Nós, contribuintes, vamos pagar rios de dinheiro a escritórios de advogados, curiosamente de Lisboa, porque os nossos não devem ser confiáveis. A prioridade não é governar, é salvar o pelo. Compreensível, mas um contra-senso chocante, face ao discurso de décadas. Tivéssemos tido sempre um presidente assim, cuidadoso, que passa dias e noites a arquitectar detalhes em todas as frentes - idas discretas ao palácio de São Lourenço, Moção de Confiança primeiro que a de Censura, como ocupar as galerias do Parlamento, etc. - e não estaríamos hoje confrontados com os esquemas que originaram 'buracos' acima dos mil milhões de euros. Imaginemos um presidente assim, preocupado não com a 'clientela' que o perpetuou no poder, mas com o Povo, e viveríamos na ilha perfeita. Mas a nossa Região é outra. É a que voltámos a ver, por exemplo, na última semana. E que veremos também nesta, sobretudo com um Governo a impor que os seus deputados lhe aprovem um Voto de Confiança. E ai daquele que hesitar! É também a Região que já canalizou mais de 100 milhões de euros para a obra mais monstruosa da história da Madeira, preparando-se para cobardemente lá desterrar mais outros 20 milhões, apenas porque esse dinheiro não sai dos nossos bolsos, mas de fundos externos. A isto o DCIAP chamará outra coisa, mas eu fico-me pela desonestidade. Não há ninguém - ninguém! - que acredite que aquela obra faraónica no Lugar de Baixo venha a servir para algo mais do que os 'espectáculos' protagonizados pela fúria do mar, com uma regularidade de 3 a 4 vezes por ano (tentaram impingir-nos que o fenómeno seria uma coisa pontual, lembram-se?). Em vez de tentar camuflar as suas responsabilidades, competiria ao mentor/autor político daquela megalomania vir a terreiro defender a desistência definitiva do projecto e, honestamente, dizer à Europa, a Lisboa e aos Madeirenses, que aquilo é um erro onde não se vai gastar nem mais um tostão, mesmo que não seja nosso. Isso sim, seria de Político! E a notícia até daria uma grande manchete no seu novo jornal. Provavelmente a Madeira seria penalizada por tal honrosa desistência, porque aquelas verbas não são transferíveis. Mesmo assim, não ofende perguntar: alguém já se lembrou de usar aquelas faustosas viagens a Bruxelas para, humildemente, pedir desculpa e tentar sensibilizar os burocratas a redireccionarem algum dos milhões que estão destinados a serem levados pelo mar? É que há tanta carência por aí... João Abel de Freitas, FN Hotelaria Lidera a empresa madeirense com 30 anos ao serviço de empresas e entidades públicas, e agora com o mercado estrangeiro no horizonte. Custódio Correia, Socicorreia O empresário de Braga apostou na Madeira e já vai em 60 milhões de investimentos nos últimos 6 anos. Até 2015 serão mais 16 milhões. Cristiano Ronaldo, Jogador do Real Madrid Protagonizou outra semana fantástica, numa altura em que a Adidas anuncia que a sua loja mais rentável está em Madrid... por sua causa. Gonçalo Atouguia, 'SHU.AKA' O jovem empresário madeirense entrou para a restauração quando já havia sinais pouco animadores. A inovação ajudou-o a singrar. André Freitas, Assessor da Presidência do GR É a nota negativa da semana por um assomo de arrogância a que a Presidência do Governo Regional não deveria estar exposta.