Durante o período dos Descobrimentos, o povo português construiu um mundo imaginário receptivo à conquista do Mundo e igualmente às aventuras marítimas. Este mundo utópico e fantástico, que o povo havia criado, levou à construção do Ser português, ao longo dos séculos, como Ser imperialista. No entanto, durante o século XX, Portugal deparou-se com uma época de crise devido à queda do regime Salazarista e à Independência das colónias em território Africano. Tudo isto levou a uma crise identitária no povo português, que se deparou com alguma dificuldade na definição da sua identidade como Nação, lutando pelos seus direitos e pela sua liberdade de expressão. Contudo, não fora apenas a vida dos portugueses a mudar, também no campo literário houve algumas mudanças. Escritores que haviam sido censurados por abordarem sobre temáticas proibidas pelo Estado, após o 25 de Abril puderam escrever sobre elas. A Censura outrora imposta havia tido um fim. Já do final do século XX e do início do século XXI, é possível encontrarem-se textos que têm como matéria principal a guerra colonial e a relação que Portugal teve com as suas colónias. Muitas das obras escritas tinham por base textos fictícios, havendo, por vezes, personagens que se integram no exército, suas esposas, empregados, entre outros, narrando histórias sobre si mesmos e sobre o seu país, estando presente as visões de várias experiências e situações de vida face ao Outro e não só. Existia, inicialmente, um orgulho nacionalista. Depois veio a fragmentação ou a decadência das personagens e até mesmo dos próprios espaços. A guerra tanto podia ligar como desligar o indivíduo da sua pátria.
Filipa Silva, Colaboradora da AAUMa