Num mundo globalizado, no qual pessoas, mercadorias, dinheiro e informação circulam cada vez mais rápido, devemos conhecer os novos players deste jogo, a Índia e a China. As suas economias são diversificadas, competitivas e estão em franco crescimento. Ambos eram gigantes demográficos e são agora, também, gigantes económicos, mas por sinal muito diferentes. A China possui um governo forte, determinado, omnipresente, orientador da própria iniciativa privada. A corrupção "Made in China" enfrenta a pena capital. Mas a sociedade chinesa está "amordaçada" pela falta de cultura democrática. Nada de relevante surge sem a iniciativa ou a anuência do governo e a população está a envelhecer pela política de "Um casal um filho" seguida desde 1970. A Índia é o oposto. Um boom de jovens (600 milhões), muitos deles bem preparados, sendo líderes em novas tecnologias, como ilustra o cluster de Bombaim. Mas com um governo fraco, por vezes corrupto, o desenvolvimento indiano assenta sim numa sociedade civil forte, moldada por 60 anos de democracia e associativismo, com uma iniciativa privada inspirada no modelo britânico, que a colonizou. Há quem ridicularize isto, afirmando que a Índia só cresce à noite, quando o governo indiano dorme! Outros países, como a Itália, Bélgica e Brasil, compartilham algumas destas características. Qual destas sociedades pode ser vencedora num mundo globalizado, perguntou recentemente Thomas Friedman, no NY Times? Não sei, mas receio a performance de Portugal e, acima de tudo, da Madeira. Somos uma Região periférica, com uma economia pouco diversificada, pouco competitiva, monopolizada, muito dependente de subsídios externos e, por isso mesmo, exposta aos amuos da República e da Europa. Temos uma população jovem mas que começa a abandonar a ilha para fugir à pobreza. A nossa sociedade civil remete-se ao silêncio por medo de um governo monolítico, intolerante e que assume a infalibilidade. Agora, perante o desmoronar da mesma infalibilidade, com a Justiça a fazer contas e a impor-se numa Região, ainda de Direito, começamos a ficar órfãos de governação, de soluções e de rumo. Como qualquer órfão, temos de fazer um luto, mas seguindo em frente, procurando um novo caminho. A vida não acaba com uma geração mas continua com a geração seguinte!
Mário Pereira, Deputado do CDS