Frases feitas. Palavras repetidas em contextos imitados, da política ao desporto, da economia aos temas sociais. Nas rádios, nas páginas da imprensa, na televisão - e neste meio em especial - repetem-se as ideias feitas e proferidas nas mesmas palavras. Copiamo-nos. O modo como algumas ideias são lançadas no espaço público pelos "media", condicionam à partida todas as formas sucedâneas de como essas ideias se propagam. Estamos entregues ao vocabulário das redações, porque não abrimos outros "livros". As pessoas falam como ouvem falar… Embora a língua evolua diariamente, com introdução de novos vocábulos e adaptação de novos termos adequados à evolução dos tempos, estudos indicam para a existência de 435.000 palavras em português, à nossa disposição. Ora, não será difícil calcularmos que diariamente, em contexto social ou laboral, usamos apenas uma ínfima parte das mesmas. Sinal de que através da linguagem - ela mesma pensamento - não ginasticamos a nossa mente e as nossas capacidades em toda a sua extensão. Pierre Bourdieu, um importante sociólogo francês, referia que «no processo que conduz à elaboração, legitimação e imposição de uma língua oficial, o sistema escolar desempenha uma função determinante: fabricar semelhanças, de onde resulta a comunidade de consciência que é o cimento da nação». Porém, a culpa não morre solteira nem se resume à escolaridade. Amadurece com a idade e com a vida. Crescemos na ilusão de que sem esforço quase tudo se consegue e somos filhos do "copy/paste", não apenas linguístico mas também intelectual. [email protected]
Luís Sena Lino, Consultor de Marketing e Comunicação