O acto de protestar - dizem alguns políticos perante as câmaras e microfones - é um natural exercício duma democracia madura e duma cidadania consciente. O nosso país e região, em plena deriva, como um corpo condenado e moribundo, em face da actual política com que nós estamos confrontados, provoca nas pessoas insatisfação, desconfiança e gradualmente desespero. Os portugueses na sua originalidade cantam "Grandoladas", e verbalizam em acto patriótico, impropérios aos governantes que rasgaram os programas pelos quais, foram eleitos. Esperemos que o requinte do protesto se mantenha. Na Madeira, a sagrada liderança da "Autonomia Nova", por analogia ao Estado Novo que também rendeu décadas, enfrenta a contestação, mas sem o fino requinte da composição de Zeca Afonso. Talvez porque a "Autonomia Nova" nunca festejou nem promoveu oficialmente o 25 de Abril. Temos a alma na boca, mas também o açaime enferrujado. O transtorno de quem no seu pedestal pretensamente imaculado, (por pensar ter o habitual cheque em branco do voto), revela o refinamento de "estadista", e assim como qualquer menino mimado (perante qualquer "latido" adverso), insulta a popular "cachorrada", escudado por qualquer cão de guarda, pago pelo contribuinte. A coragem dum alienado também se mostra, em provocar do lado de fora da jaula, as feras cansadas de tanto engano e compressão. Se exemplo devesse ser seguido pelos nossos governantes, seria a atitude do estadista do Vaticano, que assumiu a sua dessacralização perante a impotência de proteger o rebanho, das várias alcateias que parecem existir no seio da instituição que lhe fora confiada. Não fosse pois, o pastor da cristandade guiar os fiéis ao caos, e poder vir a ser, um alegado arguido perante o Criador, ainda que receie, que (também) a justiça divina "não vai dar em nada".
Donato Macedo, Lic. Comunicado