Há vestígios de burro por aí. Estão em todo o lado. Embora só se fale nos vestígios de cavalo na carne que deveria ser de vaca. Mas o que se passa num Mundo, que se diz moderno e civilizado, onde o capitalismo grotesco e canibal, mas que parecia assente em regras assépticas, pelo menos no que toca à higiene, é engolido por si próprio e pelos mecanismos que delineou?

Criou-se a ideia de que as coisas passavam por um elevado controlo, de tal forma apertado, que as entidades responsáveis não o conseguem fazer cumprir. De que nos servem os rótulos de descrições impressionantes que não correspondem à verdade?.

Andamos todos a comer gato por lebre, que a pobre raça de coelhos está agora condenada ao espeto, qual cordeiro sacrificado em nome da contestação social que saiu à rua e não é coisa de modas, senhor Coelho, primeiro-ministro. É mais de necessidade, como outras do mundo mundando de que cada vez mais se vai afastando. Quase um milhão de necessitados/desempregados.

Isto está a ficar perigoso. São os vestígios de burro que proliferam e que são piores que os de cegueira. A burrice é estupidamente teimosa, a cegueira é tristemente incapacitante.

Há vestígios em todo o lado. Há ervas daninhas disfarçadas de relvas que estão agarradas ao poder, sob a égide de uma legitimidade que o povo não lhes reconhece. Há uma hegemonia insular que é corroída por dentro, pelas traças, e cai triste arrastando o seu povo em desonra desmerecida e salpicada em insultos de quem vê vestígios de cão no protesto alheio.

Vivemos num tempo em que cavalos passam por vacas, o que não tem riscos para a saúde pública, mas é assente numa mentira, pelo que a carne vai para a caridade. Isto mostra que no fundo somos todos carne para canhão, numa sociedade hipocritamente higiénica.

Um tempo estranho este, de vestígios e indícios. De cavalos e burros e de coelhos metidos na toca. Chega de subterfúgios, chega de vestígios, de rótulos mentirosos, venha a verdade.