Há muito que estamos a assistir à degradação da nossa sociedade perante políticas ultraliberais que transformam seres humanos em meros números, considerados onerosos para a administração pública que durante décadas lapidou os seus recursos financeiros em projectos, muitos dos quais, pouco contribuíram para a riqueza do país e para a melhoria das condições de vida da maioria dos portugueses. E não vale a pena recorrer ao chavão tão em voga do viver acima das nossas possibilidades pois é a questão menor porque o problema principal residiu (e ainda reside) no desperdício dos nossos recursos em acções que não foram capazes de produzir mais valias e crescimento significativo da nossa economia Fala-se agora na necessidade da reestruturação da despesa pública, apelidando-a com um nome muito pomposo, refundação quando há muito se dizia que o Estado deveria efectuar uma profunda alteração da sua estrutura de funcionamento e na priorização da despesa pública. Adiou-se o problema não por descuido mas porque não era desejável uma vez que estava alimentar uma cadeia de interesses instalados. O problema é que acabou o dinheiro, esgotaram-se os recursos até ao último cêntimo. Os gastos do Estado cresceram exponencialmente sem que daí tenha resultado grandes benefícios para o país e para os portugueses. Persiste, segundo os entendidos, uma educação deficiente, cuidados de saúde que não chegam a todos da mesma forma e mesmo os que usufruem é sempre tarde e más horas e prestações socias muito aquém do desejável, deixando muitas famílias à beira da pobreza extrema. O que é necessário é cortar e naturalmente segue-se aquele princípio tão linear ou seja recorre-se às áreas que apresentam mais despesa sem saber o porque das mesmas e as implicações que têm. Temos a consciência que é de todo imprescindível reduzir a despesa pública e não é isso que está em causa mas sim como é se irá proceder a essa redução cujo princípio deveria ser o de saber onde é que o Estado deve gastar, salvaguardando-se sempre o seu papel social em prol das populações, e como deve financiar-se para alcançar esse objectivo. Inverte-se a lógica pela pressa de apresentar plano que irá agravar ainda mais a vida dos portugueses.

José Manuel Oliveira