Eusébio Cró Gouveia Sou casado e pai de duas filhas, e neste momento este é o meu último fôlego para que alguém ou alguma entidade governativa me acuda. Em meados de 2010 fiquei desempregado, situação em que já então se encontrava a minha esposa. Estando a viver numa casa arrendada, tive que sair da mesma para conseguir suportar as despesas, e recorri à casa dos meus sogros, na Fajã das Galinhas, freguesia do Curral das Freiras. No entanto, passados alguns meses, a Câmara Municipal de Câmara de Lobos interditou a casa, uma vez que tinha sofrido danos provocados pelo temporal de 20 de Fevereiro de 2010 e, por isso, não reunia as condições de segurança para habitabilidade. Recorri novamente a uma casa arrendada, suportando o valor da renda recorrendo a um apoio concedido pela Segurança Social à minha esposa. Recorri várias vezes à Câmara Municipal de Câmara de Lobos, à Segurança Social e ao IHM - Investimentos Habitacionais da Madeira. Apresentei vários orçamentos para a reconstrução da casa, os quais foram sempre rejeitados, com a alegação de que não havia verbas para tal. Em meados de Janeiro do corrente ano, a minha esposa recebeu uma carta da Segurança Social informando-a de que o subsídio que ela tem recebido seria cortado, alegando como justificação que a minha esposa teria recusado uma proposta de trabalho; porém, tal não é verdade. A minha esposa esteve presente numa entrevista de oferta de trabalho, em Junho de 2012, e concordou plenamente com as funções que iria desempenhar. Só lhe perguntaram se ela tinha alguma doença, pergunta frequente e normal numa entrevista de trabalho, ao que a minha esposa respondeu que tinha um problema nervoso mas que não a impedia de trabalhar. Passados todos estes meses, resolveram cortar a única forma de subsistência que tínhamos, utilizando este argumento duvidoso. Tenho que sair da casa arrendada em que estou, porque não tenho forma de poder pagar a renda mensal. Este meu último fôlego não é a pedir caridade. Eu, como cidadão, tenho o direito ao trabalho; aliás, o trabalho nunca me assustou, bem pelo contrário. E estando desempregado há já quase 3 anos, tentei várias vezes, e por minha própria iniciativa, arranjar trabalho mas, infelizmente, sem sucesso. Mas também é verdade, e isto faço questão deixar aqui bem claro, em todo este tempo nunca recebi qualquer convocatória para uma entrevista de trabalho através do Instituto de Emprego. O que eu quero é um trabalho para conseguir continuar a sustentar a minha família. QUERO DIGNIDADE, quero poder dar um futuro condigno às minhas filhas. Será isto pedir muito?