Já se conheciam as medidas que se desenharam para 2013 mas, não há nada como "sentir na pele" para perceber as reais dimensões das mesmas. Ao receberem o último salário, os trabalhadores, após verificarem várias vezes o recibo de ordenado, constataram que ficaram privados de parte significativa do seu vencimento. O cenário já era mau o suficiente se ficássemos por aqui mas, ainda piora, e muito. Com efeito, além do aumento dos escalões de IRS e da aplicação da sobretaxa, há ainda que considerar que os limites aos benefícios fiscais também baixam de modo generalizado, que o limite diário do subsídio de refeição isento de IRS baixou, que os subsídios de desemprego e doença passam a estar sujeitos a uma contribuição especial, que o imposto sobre produtos petrolíferos aumenta… E a lista poderia continuar durante muitas mais linhas de texto, no entanto, para não contribuir para o estado depressivo do leitor opto por parar por aqui. Não é de hoje que percebemos que, do ponto de vista dos nossos governantes e da troika, a cura para todos os males do país passa por aplicar cada vez mais austeridade. Todavia, medidas como aumentar a carga fiscal, apesar de poderem trazer mais receita ao estado no curto prazo, têm um efeito perverso na economia. Na prática, o "empobrecimento" das famílias traduz-se numa quebra de consumo que, por sua vez, se reflecte numa diminuição nas vendas das empresas. É expectável que o resultado desta combinação explosiva seja o fecho de empresas, o aumento do desemprego e, consequentemente, a estagnação do mercado interno. A receita que o estado poderá arrecadar a curto prazo, no médio e longo prazo irá dar lugar a um cenário de "asfixia económica" com graves consequências a nível social. Nesse contexto, será complicado encontrar o que mais tributar.

Pedro Nunes, Economista