A expressão popular tem raízes medievais e recorda os tempos em que, quando o soberano completava mais um ano de vida, distribuía amnistias a condenados e as igrejas davam mais um pão aos pobres. ‘Quando o rei faz anos’, passou a ser a expressão para algo que só acontece raramente e que nem tem garantida a periodicidade anual. Acontece se for da vontade de sua majestade.

Agora, quando o rei faz anos não há arraial e foguetes no ar. Há pobreza, desemprego e um horizonte negro. Nem sinais de amnistia de impostos ou de mais um pão para quem precisa e diariamente bate à porta da sopa dos pobres. Apenas a certeza de que continuaremos a pagar as decisões, certas ou erradas, do monarca e que o cobrador real será implacável a levar a dízima, porque sua senhoria tem muito onde gastar, ou desterrar. Como bem apetecer a sua alteza.

Não há pão para todos... mas alguns continuam a abocanhar uma parte grande do cofre dos impostos que fica aos pés do soberano. O jornal do reino, pago principescamente com mais de quatro milhões ao ano, continua a ser presenteado. No dia em que o rei faz anos e nos outros todos. E agradece com uma homenagem ridícula, mas compreensível face ao descaramento que é a marca dos últimos tempos.

Quando o 'amado líder' da Coreia do Norte morreu, os jornais escreveram que até as andorinhas choraram. Por cá, não se sabe se alguma cagarra festejou o aniversário, ou se uma galinha pôs um ovo laranja... mas é uma questão de procurar. Uma boa investigação para o jornal do reino.