É hora de premiar ou punir os agentes políticos do poder local. É tempo de reformar; renovar; substituir; refundar; reorganizar e formular. Formular um projeto; uma estratégia; um programa, propostas políticas orientadoras das novas exigências da governação autárquica. Os partidos políticos e as candidaturas independentes podem avançar com o entusiasmo que entenderem, mas a realidade não se altera como se um "toque de Midas" se tratasse. É através das propostas políticas concretas e exequíveis que as candidaturas e os candidatos se distinguem. Não vale a pena embandeirar no ritual das campanhas eleitorais, distribuindo promessas avulsas, sem consistência da sua aplicabilidade; continuar na mera tática política, nas teias da partidarite, apenas com o intuito de assegurar o "seu" quinhão eleitoral. Por si só, não concretizará a mudança ou a alternativa desejada. Como operacionalizar a mudança e a alternativa? Mudança de pessoas? Alternativa ao paradigma existente? O que se pretende da competição eleitoral autárquica? Apontar argumentos contra a governação dos incumbentes ou abrir o debate sobre os desafios e as oportunidades do poder local, cada vez mais exigente e determinante no modelo de governação multinível (local, regional, nacional e supranacional), onde os cidadãos assumem uma posição-chave na orientação das políticas públicas e da decisão política? Qual o desígnio do poder político local, num período de austeridade? Que modelo para a administração autárquica? Num momento excecional, as autarquias locais da RAM têm a oportunidade de se afirmarem como unidades de governação política e administrativa no quadro do sistema político regional. Não basta assegurar a sua sobrevivência orgânica e financeira é necessário revalidar a sua orientação democrática. Mais do que discutir nomes, pessoas ou candidatos a candidatos, os cidadãos eleitores exigem perceber os custos-benefícios, o conteúdo programático, e a direção da mudança e da alternativa política. Neste momento, os cidadãos eleitores elevaram o seu papel de protagonistas na condução da Política, asseguram a sua intervenção (nas suas várias modalidades) e garantem mão férrea na responsabilização política. O próximo escrutínio eleitoral, não será apenas a eleição dos órgãos do poder político autárquico, será simultaneamente um momento de escrutínio às estruturas internas dos partidos políticos, às suas lógicas de conquista de poder (interna e externa), aos propósitos da sua atuação e à elite dirigente.
Teresa Ruel