Luís Guilherme Ferreira Quando comecei a trabalhar na escola das Figueirinhas no Caniço pensei logo em procurar um lugar onde pudéssemos praticar futebol. Em frente a escola havia um pinhal e foi aí que montamos o campo de futebol. Na altura eu dizia aos meus alunos que nós tínhamos dois adversários: um era a equipa contrária e o outro era os pinheiros aos quais não podíamos dar carga de ombro (que no futebol é permitido) pois se o fizéssemos em vez de ser o adversário a cair nós é que caíamos. Nessa escola era hábito quando qualquer aluno fazia o exame da quarta classe oferecia uma galinha ao professor. Um dia apareceu-me a mãe dum aluno com duas galinhas dentro duma canasta. Agradeci a oferta mas disse-lhe que o filho não tinha feito exame. Ela respondeu-me que aquela lembrança era pelo trabalho que tinha tido com o filho durante o ano. Em julho fui examinar para Câmara de Lobos e os meus alunos foram fazer exame da quarta classe a Santa Cruz e perguntaram-me quando ia à escola. Disse-lhes o dia mas não a hora e no dia marcado apareceram na escola às nove horas cada um com uma galinha. Como tardei a chegar soltaram as galinhas na sala de aula e deixaram um aluno de guarda a escola. Quando lá cheguei por volta das duas horas era um cheiro insuportável naquela sala; mais parecendo uma capoeira com as carteiras todas sujas. Não sabia o que fazer. Guardei as galinhas e mandei comprar à mercearia próxima "sabão azul" para lavar as carteiras , soalho, etc… Sorte a minha que no dia seguinte não havia aulas. Tudo acabou bem. Mandei fazer uma redação e um meu aluno escreveu a palavra "cabeu" em vez de coube. Emendei e disse que, para memorizar a palavra escrevesse no quadro preto dez vezes a palavra "coube". Verifiquei que em vez de 10 palavras escreveu somente nove. Chamei-lhe à atenção e disse-lhe que além de não ter feito a palavra certa não sabia contar e ele respondeu-me senhor professor, não "cabeu". Maior emenda que o soneto.