Alberto João Jardim faz hoje 70 anos. Parabéns! Para assinalar a data não lhe demos uma manchete vigiada, feita a várias mãos, nem 28 fotografias de empreitada numa só edição, nem quatro páginas de passado, nem aquela espécie de compromisso matrimonial que o jornal pago pelo povo dá à estampa e assume ser para “sempre”.
Damos-lhe prendas que é o que se deve dar a quem celebra a vida, embalado rumo a diamante! Perguntámos aos nossos seguidores no Facebook o que gostariam de oferecer ao presidente do Governo. As dádivas podem ser consultadas aqui e revelam uma profunda empatia pelo líder, que ainda se julga popular.
O que o povo quer é que Jardim se divirta. E por isso oferece-lhe brinquedos, sobretudo patins, a contar que se espalhe, mas também utensílios a pilhas, enxadas, coletes de forças e até uma calculadora básica para somar os desperdícios. Ou ainda “um adversário à altura” enquanto lê e pratica o ‘Triunfo dos Porcos’.
O povo quer que Jardim aguente. Que experimente viver com reformas de miséria e salários mínimos. Que pague pela dívida escondida. Que enfrente processos em tribunal decorrentes das “actividades terroristas, roubo do futuro dos nossos jovens, descaracterização da nossa ilha, favorecimento de certas famílias, criação de monopólios”. E que tenha “paciência para aturar os ingratos” que lhe mandam desprezo, baldes de nada e bilhetes só de ida para a Cancela, Desertas e Sibéria ou de acesso a sítios cheios de gente vítima do sistema.
O povo quer que Jardim tenha qualidade de vida. Que vá cuidar dos netos. Que goze a reforma. Que não lhe falte o essencial: uma peruca, um garrafão de vinho, espetada com carne rija, cachos de bananas, remédios, mantas e pantufas ou um terço para rezar nas horas vagas. Mas também óculos para ver melhor o que se passa no partido e no governo
O povo quer que Jardim tenha saúde. E pense. “Inteligência”, “juízo” e “contenção no discurso” são alguns dos desejos expressos. Mas se a coisa não for a bem, há quem sugira “um livro de boas maneiras”, um manual que explique a democracia ou então correctivos.
Os madeirenses, os mesmos que muito lhe deram, continuam a manifestar-lhe gratidão. Dão-lhe abraços e desculpas. Afinal, “quem está a governar não pode fazer tudo e agradar a todos o tempo todo”, observa Ana Fernandes. Mas também indignação, “cartão vermelho” ou nada: “Não posso oferecer nada, pois tudo o que eu tinha ele já me tirou”, desabafa Maria Ascensão.
Mesmo que não nos enxergue, tenha tudo de bom!