Podendo não ser fácil, importa, em momentos de dificuldades, não perder a clarividência e a objetividade, nem confundir opções com decisões. Vem isto a propósito de alguns comentários que ouvi e li nos últimos dias sobre as obras de beneficiação da praia da Calheta. Assim, julgo pertinente clarificar os calhetenses que aquela obra foi integrada na designada Lei de Meios, a Lei n.º 2/2010 da Assembleia da República. Esta lei, que está a ser muito bem coordenada pela Vice-Presidência, fixa os meios financeiros de apoio à reconstrução da RAM, no pós 20 de fevereiro de 2010 até 31 de dezembro de 2013. Neste período a RAM dispõe de 740 milhões de euros, comparticipados de diferentes proveniências, para executar um conjunto de obras, previamente candidatadas, que visam reconstruir as zonas afetadas pelas intempéries. É evidente que no presente momento a Calheta, tal como outros concelhos do nosso país, regista necessidades diversas. É óbvio que o novo centro de saúde é carência maior para os calhetenses que a praia. Todavia não é honesto "vender" esta ideia, uma vez que esta não é uma opção. Nem esta, nem a de trocar as obras da praia pela conclusão da via expresso, ou ainda por programas de apoio a jovens desempregados, entre outras. As opções só devem ser equacionadas quando são opções, caso contrário estaremos a especular ou, quiçá, a fazer aproveitamento das fragilidades das pessoas. Respeito todas as opiniões, aceito que se teçam raciocínios, porém, e socorrendo-me do brilhante Mia Couto, "importa meter algumas ideias no meio dos raciocínios", ideias estas que se querem fundamentadas e contextualizadas. Caso contrário, não estaremos a ser sérios nem honestos!
Nuno Maciel, Professor