A taxa de ocupação da Madeira é cerca de 57%. E tem vindo a diminuir neste milénio à taxa de 1,6%. O preço médio de quarto de hotel é ±53 euros e tem-se mantido constante nos últimos seis anos. Em conclusão o revpar (receita média por quarto disponível) é de 30 euros. Não é preciso ser-se um especialista em turismo para se concluir que estes valores são fracos. Dirão alguns: deve-se ao facto de a Madeira ser uma região periférica, longe do centro. Será? A melhor maneira de responder é comparando os resultados da Madeira no turismo com outras regiões periféricas: Canárias, Islândia, Malta, Chipre e Açores, através de gráficos e tabelas devido ao tal… provérbio chinês. O provérbio chinês Há quatro indicadores muito utilizados para medir o sucesso do turismo. O primeiro é o número de turistas per capita em que a Madeira tem 2,5, só maior que os Açores (0,6) e pior que Canárias (o melhor com cerca de cinco turistas per capita), a Islândia, Malta e Chipre (vide figura um). Novamente, quanto ao peso do turismo na economia, o ranking é o mesmo (figura dois): melhor as Canárias, onde o turismo representa cerca de 30% do PIB e piores a Madeira (± 10%) e os Açores (± 5%) com Malta, Chipre e Islândia novamente no meio. O terceiro gráfico apresenta as receitas por turista. Mais uma vez, as Canárias são o melhor (com 993 euros), mas agora a Madeira aparece em terceiro lugar (depois de Chipre) com cerca de 555 euros de receita por turista. E … para variar … os Açores são os piores… A última medida no quarto gráfico (revpar - receita por quarto disponível) resume duas outras: a taxa de ocupação e o preço médio do quarto. E aqui o cenário dos dois primeiros gráficos tende a repetir-se; melhores os quatro destinos periféricos estrangeiros (Chipre - 57 euros; Canárias - 55,6 euros; Malta - 49,9 euros; Islândia - 35 euros) e piores a Madeira (30 euros) e os eternos Açores (23 euros). Como resumir todos estes indicadores? Um modo possível é somar as notas (1.º, 2.º, 3.º, 4.º, 5.º ou 6.º) de cada destino em cada uma das quatro variáveis (capitação de turistas, peso no PIB, receita por turista e revpar). Assim, um dos destinos que fosse o 1.º nos quatro indicadores somaria um total de quatro; um destino que fosse 2.º nos quatro indicadores, somaria oito; e assim sucessivamente. Como a figura cinco mostra, o melhor destino nos quatro indicadores é as Canárias que soma cinco, já que é o melhor (1.º) na capitação de turistas estrangeiros, peso do turismo no PIB e receita por turista e o 2.º no revpar. Nota total?: cinco (1+1+1+2). Segue-se Chipre com 10, Malta com 12, a Islândia com 15, a Madeira (porque é o 5.º, penúltimo, em três indicadores e 3.º na receita por turista) soma 18 e os Açores, por ser último (6.º) em todos os quatro indicadores soma 24 (6x4). Ou seja, a Madeira é pior que todas as outras regiões periféricas, com excepção dos … Açores. A pergunta Há tempos estive com o inspector geral de uma das maiores empresas de cruzeiros do mundo, que tinha acabado de vir de uma reunião com o presidente: "onde prefere passar o fim do ano?", perguntou-lhe o presidente. Para o inspector responder: "em casa, e se não puder ser … então no Funchal". Como ao longe se vê melhor, os locais tendem a esquecer-se de onde vivem; contudo quem chega de fora e vindo do aeroporto se aproxima do Funchal fica primeiro deslumbrado e depois comovido (as palavras são estas) com a beleza, da cidade em especial e da Madeira em geral. Daí a pergunta: como é que uma ilha com esta beleza tem resultados turísticos destes? E afastada que está a explicação da distância, porque a Madeira tem resultados muito piores que as Canárias e a Islândia, para não falar de Malta e Chipre. Como é possível? Ou seja, se o problema não são as instalações, têm que ser forçosamente as políticas dos inquilinos.
Jorge A. Vasconcellos e Sá