Quando confrontados com uma séria incapacidade de resposta aos assuntos sociais e económicos do Estado, é típico em qualquer governo, ou presidente em linha descendente, o recurso às generalidades em tom ideologia profunda e inovadora, de modo a conseguir, nem que seja por uns minutos, acalmar os sentimentos de revolta do eleitorado. Uma das trivialidades a que se recorreu nas últimas semanas foi a importância da educação dos jovens portugueses para benefício da Nação. Não é algo que não conheçamos, mas entre jogos políticos, onde sublinha-se o que já é sublinhado ao longo de décadas, tudo vale a pena por uns minutos ao Sol. Segundo o Presidente da República, em Portugal, na busca de um emprego, a formação de nível superior é a que apresenta melhores resultados e consequentemente maiores benefícios e compensações. Por outro lado, sempre em contrariedade com todos os elementos governativos deste país, o INE expõe o seguinte: Dentro de todos os níveis educativos os maiores decréscimos salariais apresentam-se entre os portadores de formação superior (9,5%). Também é entre estes que o desemprego disparou (entre 2011 e 2012) 84%, atingindo valores numéricos idênticos aos dos desempregados com apenas a 4.ªclasse, que representam a maior taxa de desempregados do País. Mas de que vale apresentar valores? Num País onde apresenta-se argumentos em círculos para resolver problemas bicudos, tudo fica bem num discurso desde que seja para agradar ao ouvinte. O importante é continuar a discursar. Talvez um dia, em tom de bênção, uma verdade lhes calhe em graça.
Diogo Gonçalves, Colaborador da AAUMa