O Papa Bento XVI surpreendeu o mundo quando anunciou que abandona o seu lugar. Justificou com "a falta de forças". Foi uma atitude original, nunca vista na História Moderna, e típica de um inteletual e, ao mesmo tempo, místico e ainda por cima - ou acima de tudo - de um alemão. Ratzinger foi um Papa muito diferente do anterior. Muito menos mediático e dado às massas mas com uma consistência inteletual extraordinária . Era, de facto, um «doutor da Igreja». As suas intervenções eram autênticas peças documentais com um nível de pensamento e sustentabilidade inteletual extraordinários. Durante o seu papado Ratzinger enfrentou os escândalos da pedofilia, a espionagem no Vaticano e uma degradação física imensa. Talvez por isso tenha decidido ir embora. Uma atitude corajosa e revolucionária. Curiosamente a atitude mais revolucionária da História da Igreja, nos últimos anos, veio de um Conservador. Curioso e ao mesmo tempo uma lição (que também pode ser política): os tradicionalistas e os conservadores podem - e devem - ser os mais revolucionários. Daqui para a frente tudo pode ser diferente na Igreja. Quem sabe se os Papas não terão um limite de idade? Uma instituição que faz esta revolução pode vir a fazer outra: o sacerdócio no feminino, padres casados, etc. As portas ficaram abertas por Ratzinger a todo o tipo de revolução na Igreja. E quem foi o revolucionário? O Papa Ratzinger, o Conservador. O ESPETÁCULO SOCIALISTA O País assistiu nas últimas semanas a um autêntico espetáculo, de nível muito duvidoso, no PS nacional. António Costa de um dia para outro criou um facto político e levou a instabilidade ao PS. Decidiu que queria ser líder dos socialistas. Com uma força de leão e empurrado pelos socratistas desafiou a liderança de António José Seguro. No entanto bastou um serão no Largo do Rato (sede do PS) para o leão sair mansinho que nem um simples cordeiro. Depois regressou para "negociar" as listas e ideias para o Congresso. Tudo foi mau de mais para ser verdade. Afinal o PS é o maior partido da oposição e deveria ser a alternativa ao atual governo. Todo o espetáculo foi dantesco: ver Costa e Seguro a entrar e a sair sempre alegres e sorridentes e com carros de alta cilindrada à espera para os levar sabe-se lá onde... é este o exemplo do partido que quer ser a alternativa? De que riam eles? Da instabilidade que estavam a criar? Por estarem a fazer "politiquice" em vez de estarem à procura de soluções e alternativas para os graves problemas do País? Enquanto eles estavam entretidos nessa brincadeira politiqueira milhões de portugueses estavam ou a trabalhar - ganhando metade do recebiam há um ano atrás - ou nas filas para receberem o subsídio de desemprego. Dois filmes tão diferentes para um mesmo País. O problema é que o filme "alegre" dos senhores Costa e Seguro é o dos que governam ou querem governar o País. Só que o País real é o país dos tristes. GREVE NOS TRANSPORTES Temos assistido a greves sucessivas nas empresas públicas de transportes. Só na CP a paralisação custa mais de um milhão de euros por dia. Um milhão a somar aos muitos milhões de prejuízos diários que estas empresas geram. Excusado será dizer que é o povo que depois paga esses prejuízos. A falta de respeito em relação aos mais pobres é inacreditável. Repare-se que a CP, por exemplo, está sempre em greve nas épocas mais festivas: Páscoa, Natal, etc. Precisamente quando o povo mais necessita dos transportes públicos porque não tem alternativa. Até quando vamos ter que suportar estas empresas falidas e algumas ineficientes? Em nome de quê e de quem? Não há dinheiro para nada, mas há para estas empresas... privatiza-se tudo, mas estas não. Porquê? LIVRO Deixo a sugestão da leitura do livro "Potencial económico da língua portuguesa" da Texto editora. Um livro coordenado pelo professor Luis Reto. Segundo os dados que apresenta, a língua portuguesa já é a 4º língua mais falada do mundo com 250 milhões de falantes e será, se bem aproveitada, uma potência económica mundial. Na verdade pode ser. Os falantes do português estão espalhados pelo Mundo. Não só como falantes nacionais (8 países na Europa, América, África e Ásia) como através das comunidades emigrantes (4 milhões). A língua é cada vez mais um património que pode valer como potencial económico. Este livro demonstra isso mesmo.
Paulo Neves