Por mais alertas que alguns façam e por muita doutrina que exista, por muito ensinamento propagandeado e vexame público, ainda há quem, sem vergonha ou lucidez, não tenha emenda.
Não vos falo de crimes, como o que está na ordem do dia e "consiste em retardar ou deixar de praticar acto de ofício, ou praticá-lo contra disposições legais, por interesse ou má-fé, geralmente, cometido pelo funcionário público". A Justiça que trate deles.
Não vos falo dos governantes, auto-proclamados inocentes, mesmo antes de serem notificados, nem das acusações óbvias de que são alvo sem surpresa, tal é a profusão de provas. A Justiça que trate deles, mesmo que alguns não queiram e outros sintam pena por terem ficado à margem do espectáculo.
Refiro-me a prevaricações diversas, a factos comprovados em que a presunção de inocência passou à história. Refiro-me:
. Aos insultos do tirano dito social-democrata ao povo que ora "berra" ou "ladra", manifestações reveladoras de total desprezo para com aqueles que se libertaram da trela que o poder ainda segura na mão, sem se dar de conta que nada prende.
. Aos sem carácter. A propósito de um trabalho jornalístico sobre a resignação de Bento XVI, o DIÁRIO fez perguntas por escrito à Diocese do Funchal, mais precisamente ao Gabinete de Informação. Este, contrariando todas regras e o elementar bom senso, tornou-as públicas, juntamente com as respostas, antes sequer de serem utilizadas por quem as solicitou. É Inacreditável esta falta de ética e de valores. Perdoai-lhes Senhor porque eles devem saber o que fazem!
. Aos branqueadores da grande fraude e que insistem em considerar como ataques pessoais, ofensivas e campanhas da comunicação social dita hostil tudo aquilo que o povo está obrigado a saber para poder decidir em consciência. Sem argumentos, deliram com as notícias incómodas, em vez de desempenharem honestamente as funções que lhes foram confiadas.
. Aos que atribuem a "várias personalidades ligadas ao PSD-M" aquilo que só um homem pensa e manda escrever, nalguns casos sem assinar e assumir o disparate.
. Aos que no jornalismo ocultam factos e declarações públicas e ainda têm a distinta lata de questionar o destaque que os outros dão às mesmas, tecendo considerações sobre o rigor e a independência quando a ambos tudo devem. Os "milhos fritos" a muito obrigam.
. Aos que na vida pública revelam irresponsabilidade que tarda em ser criminalizada e até já arranjam desculpa para a hostilidade que se avizinha, culpando este jornal por "instigar a população que ainda o lê, a ter comportamentos menos correctos com as figuras públicas regionais, a exemplo do que se passa com o Governo da República".
. Aos cúmplices da evasão fiscal e aliados dos grupos de pressão. O pedido de facturas em nome de outrem, sobretudo governantes, como forma de protesto, pode ser motivo de regozijo e de paródia nacional, mas é perverso. Não admira que a brincadeira motive o fisco a lançar nova ofensiva, tornando obrigatório a apresentação do cartão de contribuinte ou do cidadão no acto de solicitação de factura. como também não espanta que diversão semelhante possa ser desencadeada com intuito de penalizar quem quer que seja! E o que não falta por aí é gente pronta para ajustes de contas, mesmo que se saiba que pedir facturas em nome de outra pessoa configure um “crime de falsas declarações".
. Aos que são intelectualmente desonestos e confundem a opinião pública com intuitos eleitoralistas. Desviar o dinheiro da Lei de Meios para investimentos não previstos é o delírio mais recente. Esta gente pensa? Quando o banco empresta dinheiro para comprar casa permite que o financiamento seja usado na aquisição de carro?
. Aos que, como Cavaco Silva, nos tomam por parvos. Alegam ter detectado um erro na lei de limitação de mandatos, - a troca de um "da" por um "de" - semanas depois de lerem uma crónica de Ferreira Fernandes, intitulada 'O eterno lobby da vírgula', na qual contava como, em 2005, a proposta de lei sobre mandatos, desde que foi apresentada pelo Governo, até ao decreto de publicação da AR, passando pelo que foi votado, falava sempre em "presidentes da câmara", mas, ao aparecer no Diário da República (Lei 46/2005 de 29 de agosto), falar em "presidentes de câmara". Parafraseando o autor, "Belém não diga que 'detectou' no Diário 'da' República o que pescou aqui no Diário 'de' Notícias".
. Aos que continuam a ser caloteiros, a ter gestão danosa, a praticar estacionamento abusivo, a deitar lixo no chão, a fumar em locais proibidos, a apoderar-se do que é alheio, a espatifar o que é de todos e a ignorar alertas. Mesmo que vítimas do sistema e contagiados pela permissividade instalada, de nada lhes valerá apontar como desculpa a obediência ou lealdade aos maus exemplos.