Do latim res publica, ou "coisa pública", o termo república refere-se a uma forma de governo cujo poder emana do povo, ao invés de outra origem como a hereditariedade, o direito divino ou a força bruta… Nesse sentido, considero assistir alguma razão ao Presidente do Governo Regional quando propõe uma revisão constitucional. É que segundo a Constituição da Republica Portuguesa - que para espanto de muitos também vigora na Região Autónoma da Madeira - "Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular, empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária". Saiba que eu até nem me considero uma pessoa facilmente sugestionável, mas os acontecimentos dos últimos tempos espelham uma realidade deveras contrária à anunciada em 1976. Na plácida ilha da Madeira não há coisa pública. De público só temos a dívida porque as coisas são do chefe do governo regional. Aqui também não existe soberania popular porque nem sequer existe povo. Ao que se descobriu Alberto João Jardim foi eleito por cachorros! Assim, a dignidade da pessoa humana, como princípio moral e espiritual inerente à pessoa humana, também não tem cá lugar. No que respeita à construção de uma sociedade livre e justa, tire o leitor as suas próprias conclusões, porque eu estou ocupada a censurar as palavras livres e justas que me vêm ao pensamento. O que escrever sobre uma população que assiste nua ao rei que desfila vestido no mais sinistro sossego?! O silêncio de um cão respeitador é igual ao silêncio de um cão com medo… Arrogante, imune e impune, é ao som deste deferimento tácito que o presidente dos cachorros dança o samba na cara da justiça.
Rubina Sequeira, Advogada