Guido Gomes O apoio financeiro do Estado à Madeira destinado a corrigir as situações do território que contribuíram para a calamidade de 20 de Fevereiro, e sanar os danos físicos que daí resultaram, fora previsto numa lei a que se designou por lei de meios. Esta lei não é apenas uma programação financeira mais detalhada do que o habitual, têm um carácter simbólico que é o da solidariedade do Estado a uma região que não tinha nem tem os meios para enfrentar as consequências de uma tragédia que não se limitou a danificar estradas, pontes e casas, mas também tirou vidas a dezenas de nossos conterrâneos inocentes e indefesos; é, portanto, uma lei de socorro e humanitária, que concede apoios financeiros com uma finalidade muito precisa. Desviar o dinheiro previsto por esta lei não é apenas uma opção política condenável por distorcer as prioridades acordadas; é uma imoralidade insuportável que merecia uma punição severa, não só por adiar o apoio previsto às vítimas da tragédia, nomeadamente a recuperação urgente de saneamento básico e das habitações que foram danificadas ou totalmente destruídas, como também por serem desviados esses apoios - e as solidariedades que lhe estão associados - para fins supérfluos, quando comparados com a tragédia das vítimas sobreviventes. Adiar o apoio a estas vítimas, nem que seja um segundo, é imoral, dada a sua condição de desamparo e os compromissos que foram assumidos. Assim é o caso do desvio de apoios para as obras dos porto do Funchal e a recarga de areia na praia artificial da Calheta, que nada tem que ver com as vítimas da calamidade de 20 de Fevereiro e que, ainda que eventualmente contribua para a dinamização turística do concelho, não deixa de ser uma prioridade infinitamente menor quando comparada coma urgência de amparar os sobreviventes de 20 de Fevereiro. É DESUMANO. Como explicar tão sinistra decisão política de não aplicar devidamente apoio humanitário do Estado, estimado em 2 milhões de euros, suficiente para recuperar uma boa parte das casas danificadas do Monte, só para dar um exemplo, e desviá-lo para o lazer e a reconstrução de uma praia artificial, em que saem bafejados os habituais grandes "empreiteiros" do regime - um desvio desumano, que tem com a aprovação do senhor Cunha, esse funesto vice-presidente do governo regional da Madeira que, definitivamente, já deveria ter-se demitido por esta e todas as restantes razões por todos nós conhecidas.